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RESOLVENDO O ENIGMA DA TRINDADE – PARTE II

08/03/2012 5 comentários

Supondo que exista a tal Trindade (é possível que de fato, não exista), isto é, a tripla manifestação de Deus enquanto ao mesmo tempo ele seja um só, nos é necessário averiguar alguns pontos chaves que apontam para tal natureza. No geral, são estes os argumentos bíblicos utilizados para provar a existência da Trindade.

João  1: 1-4

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
Ele estava no princípio com Deus.
Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.
Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.

Colossenses 2:9

 Porque nele (Cristo) habita corporalmente toda a plenitude da divindade;

Gênesis 1:1

No princípio, criou Elohin o céu e a terra.

 

João 8:23-24

 

E dizia-lhes: Vós sois de baixo, eu sou de cima; vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo.
Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados, porque se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados.
Disseram-lhe, pois: Quem és tu? Jesus lhes disse: Isso mesmo que já desde o princípio vos disse.

Estes são alguns versículos utilizados para “provar” a ideia do Deus trino. Como se pode ver, toda a necessidade da doutrina da Trindade gira em torno da ânsia de provar que Jesus é Deus. Caso contrário, afirmam os religiosos, toda a fé cristã vai por água abaixo.

Bom, acredito não caber neste pequeno espaço uma discussão acerca da pretensa divindade de Jesus e toda aquela ideia de dualidade humana-divina (união hipostática). Isto porque não tenho a pretensão de provar que a Trindade como a conhecemos exista (o que dá razão aos postulados da divindade de Jesus) nem que ela não exista (e assim, acabar com quase dois mil anos de mentiras). Vamos ao que realmente interessa (enfim!!).

O primeiro passo para compreender a Trindade é o que todos deveriam ter feito há milênios atrás: enxergar a Deus como o Amor. E assim, despessoalizá-lo.

A afirmação dada no início do evangelho de João apenas fará algum sentido real se trocarmos a palavra Verbo pela palavra Amor. Ao fazer isto, estaremos chegando ao texto abaixo:

 

No princípio era o Amor, e o Amor estava com Deus, e o Amor era Deus.
Ele estava no princípio com Deus.
Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.
Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.

Agora a afirmação tem algum sentido e não se contradiz com o dizer de Paulo em Colossenses 1:15 de que Jesus seria o primogênito de toda a criação.   Aqui entra em cena a despessoalização. Tratar a Deus como três pessoas distintas e dizer que as três formam um só Deus em mesmo poder, conhecimento e glória é chamar qualquer pessoa do mundo de idiota, já que isto vai contra qualquer lógica concebida pelo homem.  E dizer que o homem não pode compreender a lógica de Deus é cometer o pecado da preguiça intelectual.

Ao despessoalizarmos as pessoas supostamente envolvidas com a Trindade,teremos algo compreensível. Assim, ao admitirmos que Jesus não é ninguém menos do que a encarnação do Amor e não diretamente uma encarnação de Deus ou da segunda pessoa da Trindade,. Neste sentido, Jesus seria o próprio Amor encarnado. É por isso que ele era humano e dependente de Deus, mas não era Deus, caso contrário não faria sentido algum ele na condição humana ter ressuscitado a si mesmo e muito menos a suposta fala com o Pai em seu batismo. Alguns questionariam a sentença proferida anteriormente com a afirmação de Paulo de que nele está toda a plenitude da divindade, e por isso ele era Deus. Ora, se Deus é amor, então sua plenitude seria o próprio amor. Assim, Paulo poderia estar querendo dizer que em Cristo habita o amor supremo, que é justamente a plenitude de Deus e que o faz ser chamado de Filho de Deus pela prática deste amor. Assim sendo, como Deus é amor, faz sentido a afirmação de que  “eu e o Pai somos um”, já que os dois compartilham não a natureza divina, senão a natureza do amor, e por isso, tendem a agir e pensar em prol de um objetivo comum.

Dizer que o primeiro versículo da bíblia dá base para a trindade é desconsiderar os próprios judeus, que não tinham nenhuma noção de trindade. Ao contrário, a bíblia hebraica não cansa de repetir que há um só Deus, aquele que alguns pretensiosos deram o nome de YHWH (Yahweh). Para os judeus, o mundo foi criado por Yahweh com a ajuda de anjos e por isto está escrito a palavra Elohin (deuses).

Por fim, o Espírito Santo seria então a plena manifestação voluntária do homem que compreendeu o caminho do amor, entendeu a vontade de Deus e passou a praticá-la. Assim, seria o próprio agir de Deus dentro da consciência humana.

Com isto, temos Deus, Jesus como sendo a encarnação do amor de Deus (e indiretamente sendo assim parte da natureza de Deus) e o Espíirito Santo que age no homem conforme a vontade de Deus (e portanto, seria Deus agindo no homem). Este é ao meu ver, o único modo de explicar que os três são um só.

Bom, tudo isto são apenas teorias e estão abertas para discussão. O que não podemos fazer é aceitar como verdade absoluta uma coisa que sequer entendemos direito. A busca pela verdade não passa apenas por suposições e imposições. Ela deve ser entendida e sempre aberta a reformulações.