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ABORTO: UM PROBLEMA DE SAÚDE OU GESTÃO PÚBLICA?

Nos últimos anos tem havido intensos debates políticos, sociais e jurídicos acerca do aborto. E não é pra menos, numa sociedade onde cada vez mais os antigos valores vêm sendo deixados de lado, defender o direito ao aborto tornou0se um dos grandes itens da cartilha politicamente correta. Como sempre houve na história, há quem é contra a prática por motivos religiosos e há quem seja a favor por motivos humanitários. Com isto, a discussão muitas vezes torna-se polarizada, um duelo entre religiosos e cientistas, crentes e ateus conservadores e liberais. Assim, a questão deixa de ser social e se torna ideológica.

No geral, as perguntas que envolvem a discussão são sempre as mesmas: onde começa a vida? É ético abortar fetos ancéfalos? A mulher tem direito sobre seu corpo? Tudo parte do pressuposto filosófico e teológico da vida ou da falta dela e assim se desenrola a questão. Até a discussão política torna0se polarizada. Em geral, os de esquerda tendem a apoiar o direito ao aborto em prol da liberdade  de escolha da mulher e os de direita tendem a suprimi-lo porque abortar seria tirar uma vida. A dificuldade do consenso não está de fato nos valores abraçados por cada lado, senão nas perguntas que foram feitas para se chegar ao problema. Proponho deixar de lado essa dicotomia e vamos tentar analisar o problema de uma outra perspectiva, fazendo outra pergunta que, acredito, até agora ninguém fez:  É o aborto um problema de saúde ou de gestão pública?

A pertinência da pergunta reside no fato de que, se por um lado dados estatísticos apontam enormes falhas no sistema de saúde pública que acabam levando à morte centenas de mulheres grávidas que não tem condições de criar seus filhos e quando elas sobrevivem acabam abandonando essas crianças, por outro lado há real interesse dos governantes em relação ao aborto pelo simples fato de que ele possibilita maior controle de natalidade sem que haja coerção por parte do Estado. Não obstante, estamos numa época onde o consumo de alimentos industrializados, a poluição e alguns fatores ambientais tem propiciado maior crescimento de doenças e problemas de saúde pouco ou jamais relatados há 100 anos atrás. De fato, o número de DSTs não aumentou por problemas de saúde pública, senão pelas novas políticas de educação sexual promovidas após o surgimento da chamada Revolução Sexual, bem como o número de estupros ocasionados pelo excesso de exposição de conteúdo sexual na TV, Internet e publicações impressas nos dias de hoje.  O mesmo pode se afirmar em relação à ancefalia e outras deformidades e doenças antes tidas como raras, agora são e certa forma comuns. É sabido que substancias industriais contidas nos alimentos e na atmosfera  podem causar sérios problemas na formação do feto, desde problemas físicos até psicológicos.  Se não há controle por parte do governo sobre as indústrias e um currículo escolar que preze pelo respeito à sexualidade humana, evidentemente que o número de crianças com problemas irá aumentar, assim como o número de adolescentes grávidas e sem quaisquer preparos para serem mães também irá aumentar, consequentemente exigindo uma resposta dos serviços de saúde. A resposta mais fácil, rápida e barata é o aborto, mas não é de fato a solução do problema.

Creio portanto, que o aborto é antes de ser um problema filosófico,teológico e social, um problema político-ambiental que tem como raízes a economia. Nos EUA por exemplo, a maior apoiadora do aborto é a Federação de Planejamento Familiar, que basicamente é uma enorme indústria que fatura bilhões de dólares com a matança de bebês em gestação. O governo na verdade não quer defender o direito das mulheres, senão de gastar menos com saúde e educação de qualidade e para isso utiliza a retórica do aborto. Da mesma forma que ele não tem o controle da indústria alimentícia, química e farmacêutica, porque está refém delas.

A questão portanto, não é se o aborto é ético, certo, errado, crime ou pecado. O que se deve discutir não é isso, e sim como torná-lo irrelevante e desnecessário.

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Renato A. O. de Andrade

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