COMO LER A BÍBLIA

20/02/2012 4 comentários

1 – Use o bom senso.  Não faça como a grande maioria que elogia Abraão como um exemplo de fé. Ele poder ter oferecido Isaque  para sacrificar apenas porque em sua cultura em Ur dos Caldeus haviam religiões que pregavam o sacrifício de crianças para aplacar a fúria dos deuses ou atrair bênçãos destes. Neste sentido, ele já estava acostumado a ver isso por lá e sacrificar Isaque poderia ser considerado para ele como algo trivial. De resto, nenhum pai sensato faria uma coisa dessas com seu próprio filho, nem que divindade alguma lhe pedisse isso. Eu pelo menos não faria. E você não precisa matar uma pessoa apenas porque ela está trabalhando em um da que você não trabalha ou se afastar de sua esposa e considerá-la imunda apenas por ela estar menstruada. Em suma, repetindo: use o bom senso. Ponto final.

2 – Ao ler o antigo testamento, tenha em mente uma coisa: é um texto judeu, escrito por e para judeus, que apresenta um deus judeu, uma cultura judaica, uma visão judaica da espiritualidade, amparada por sacerdotes e reis judeus que queriam manter o controle sobre os judeus, dentro do Império Judaico. Assim sendo, não se esqueça que a Lei de Moisés e todos os seus absurdos foi escrita por judeus e para judeus, logo, não queira aplicar para si tudo o que ali está escrito se você não é judeu.

3 – Leia tudo pela ótica do amor. Quando o antigo testamento narra histórias de guerras do povo judeu, entenda que é apenas uma narrativa de acordo com a visão judaica do caso. Logo, isso não autoriza de maneira nenhuma as guerras porque na ótica do amor não existe guerras e nem há razão para ela existirem. Do mesmo modo, o amor não deixa que uma filha seja apedrejada na porta da casa de seus pais porque engravidou de seu namorado sabe-se lá o motivo.  Além disto, não há o porque negar uma transfusão de sangue  a uma pessoa que você diz amar apenas porque a interpretação de alguns afirma que isto é um grave pecado. Assim, todas as partes que envolvem legislações de pena capital, tortura, excomunhão, escravidão, morte, guerras e violência de qualquer tipo devem ser descartadas como supostas leis de Deus.  Se Deus reclamar que voce não apedrejou a sua filha ou não matou as crianças de Jericó, diga que ele é um folgado e mande-o catar coquinhos no universo ou que ele mesmo desça até aqui e faça essa matança ao invés de pedir aos homens para sujar as mãos.

4 – Selecione o que está mais próximo do pensamento e da açao de Jesus  e aplique-o em sua vida. Descarte todo o resto como aplicação prática.

5 – Duvide do que está escrito. Não leia pensando que o que você está lendo é 100% a Palavra de Deus. Muita coisa foi perdida ou modificada com as contínuas traduções e versões da Bíblia. E não arranje desculpas do tipo: Deus sabe preservar sua palavra intocada desde a antiguidade e ele já teria destruído o que era mentira. Se assim for, a Bíblia é tão divina quanto os Vedas, o Alcorão, o Bagavahd-Gita, o Ramayana, os Tri-Pitakas…

6 – Não obedeça a nada achando que se não fizer isso irá para p inferno. A Bíblia é uma narrativa, um livro de literatura que por alguma razão divina pode conter algumas palavras de Deus, mas ela não é um conjunto de leis, ordens e mandamentos que devem ser obedecidos sem questionamentos. Se quiser aplicar algum princípio, faça pelo amor e apenas com a consciência do que está fazendo.

7 – Interprete livremente, de preferencia sem os comentaristas e doutores em teologia. Aceite sim, debates e opiniões contrárias e busque sempre melhorias em suas interpretações. Revise sempre, pois amanha você pode estar com outra visão sobre o mesmo assunto. Mas lembre-se: sua vida com Deus é sua e de mais ninguém.

8 – Busque conhecimento – sábias palavras do grande ET Bilu.

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Renatim

 

MORTE AOS COMENTARISTAS!!

O cerne da mensagem do Reino, conforme enunciado por Jesus, é tão escandalosamente revolucionário e exigente que nós cristãos tratamos de aparar suas arestas mais escandalosas (todas elas), de modo a que ele não pudesse causar estrago e constrangimento a ninguém – em especial a nós mesmos.

Como resultado desse eficaz trabalho de domesticação, todo o tipo de barbaridade foi e é efetuado pelos cristãos em nome de Deus – mas, como aprendi com o Serqueira, sem firma reconhecida. Desnecessário olhar para trás e contemplar as Cruzadas. Nos nossos dias aquele que reivindica para o si o título de país mais Verdadeiramente Cristão da Terra é também o mais beligerante e consumista – sendo que a proclamação do o Reino exige de forma inequívoca e intransigente o baixar de armas e a simplicidade de vida.

Os fundamentalistas evangélicos norte-americanos, defensores últimos da integridade do evangelho, sustentam que é horrenda ofensa não crer na Bíblia literalmente. Eles de fato crêem literalmente, mas de forma cuidadosa e seletiva: isto é, quando lhes convém.

Os fundamentalistas e seus asseclas crêem que o Gênesis está falando em dias literais quando afirma que o mundo foi criado em sete dias; mas ensinam que Jesus não estava falando numa espada literal quando sentenciou: “Embainha a tua espada; pois todos os que lançam mão da espada à espada perecerão”. O nascimento virginal de Jesus deve ser entendido literalmente e seria blasfêmia sugerir o contrário; mas já Jesus não deve ser entendido literalmente quando nos convida a amar os inimigos, a emprestar sem esperar receber de volta, a oferecer a outra face, a dar liberalmente a quem pedir, a renunciar a toda pretensão de poder, a colocar o outro em primeiro lugar, a não ajuntar tesouros na terra, a renunciar a tudo para segui-lo, a nos fazermos frágeis e despretensiosos como criancinhas, a dar a vida pelos amigos.

Mais fácil é fazer-se de louco e ater-se, como fazemos invariavelmente, a lateralidades. Ninguém quer se dar ao luxo de ponderar que talvez o evangelho seja incompatível com o belicismo, a acumulação insana de bens, o egocentrismo institucional e o capeta-lismo (como dizia o velho profeta carioca Gentileza). O que Jesus disse é, na prática, irrelevante à nossa pretensão de sermos seguidores dele.

Estamos protegidos do Indomável pela nossa interpretação à prova de balas das suas palavras.

Naturalmente, estou chovendo no molhado quando falo sobre esse assunto – e olhe que volto sempre a ele. Se, falando da forma mais clara, o aclamado Søren Kierkegaard não conseguiu abrir os olhos da galera, não serei eu. Já no século retrasado, e por excelentes razões, Kierkegaard exigia a cabeça dos que fazem de intermediar o significado da Bíblia sua profissão.

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MORTE AOS COMENTARISTAS

A enorme quantidade de intérpretes contemporâneos bíblicos tem prejudicado, mais do que auxiliado, nossa compreensão da Bíblia. Ao ler os comentaristas tornou-se necessário fazê-lo como quem assiste uma peça durante a qual a profusão de espectadores e de luzes impede, por assim dizer, que desfrutemos da peça em si – e somos premiados ao invés disso com pequenos incidentes. Para assistirmos à peça temos de aprender a ignorá-los, se possível, ou entrar por um caminho que não tenha sido obstruído.

O comentarista tornou-se, na verdade, o mais prejudicial dos intermediários. Se você deseja entender a Bíblia, certifique-se de lê-la sem um comentário. Pense em dois amantes. A amante escreve uma carta ao seu amado. O amado está por acaso interessada no que os outros acham da carta? Não irá lê-la sozinho? Em outras palavras, nunca lhe passaria pela cabeça lê-la com o auxílio de um comentário. Se a carta da amante estivesse escrita num idioma que ele não compreende – ora, ele por certo aprenderia a língua, mas com certeza não a leria com a intermediação de comentários. Esses de nada adiantam. O amor pela sua amada e sua prontidão em satisfazer os desejos dela tornam-no mais do que capaz de compreender a carta. É o mesmo com as Escrituras. Com a ajuda de Deus podemos entender a Bíblia muito bem. Todo comentário deprecia, e a pessoa que senta-se com dez comentários abertos e lê a Escritura… está provavelmente escrevendo o décimo-primeiro. Não está por certo lidando com as Escrituras.

Se você deseja entender a Bíblia, certifique-se de lê-la sem um comentário.

Suponha agora que essa carta da amante possua o atributo único de que cada ser humano é o amado a quem ela se dirige. E agora? Deveríamos por acaso sentar e conferenciar um com o outro? Não, cada um de nós deveria ler essa carta apenas como indivíduo, como indivíduo singular que recebeu essa carta de Deus. Ao lê-la, estaremos preocupadas em primeiro lugar com nós mesmos e com nosso relacionamento com ele. Não concentraremos nossa atenção na carta em si, no fato de que essa passagem possa ser interpretada de uma forma e esta de outra – de forma alguma: o importante para nós será agir, e o mais cedo possível.

Não é então algo singular ser o amado, e não nos dá esse algo uma vantagem que nenhum comentarista possui? Pense a respeito. Não somos nós os melhores intérpretes das nossas próprias palavras? E em seguida o amante e, em relação a Deus, o verdadeiro crente? Não devemos esquecer que as Escrituras são meras placas rodoviárias: Cristo, o amado, é o caminho. Morte aos comentaristas!

A questão é simples. A Bíblia é muito fácil de entender. Mas nós cristãos somos um bando de vigaristas trapaceiros. Fingimos que não somos capazes de entendê-la porque sabemos muito bem que no minuto em que compreendermos estaremos obrigados a agir em conformidade. Tome qualquer palavra do Novo Testamento e esqueça tudo a não ser o seu comprometimento de agir em conformidade com ela. Meu Deus, dirá você, se eu fizer isso minha estará arruinada. Como vou progredir na vida?

Aqui jaz o verdadeiro lugar da erudição cristã. A erudição cristã é a prodigiosa invenção da igreja para defender-se da Bíblia; para assegurar que continuemos sendo bons cristãos sem que a Bíblia chegue perto demais. Ah, erudição sem preço! O que seria de nós sem você? Terrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo. De fato, já é coisa terrível estar sozinho com o Novo Testamento.

Terrível coisa é estar sozinho com o Novo Testamento.

Abro o Novo Testamento e leio: “Se você quer ser perfeito, venda todos os seus bens e dê aos pobres, e venha me seguir”. Meu Deus, se fôssemos de fato fazer isso, todos os capitalistas, todos os funcionários públicos e empreendedores, toda a sociedade na verdade, seríamos reduzidos à condição de quase mendigos! Estaríamos em maus lençóis não fosse a erudição cristã! Louvado seja todo aquele que trabalha para consolidar a reputação da erudição cristã, que ajuda a refrear o Novo Testamento, esse livro perturbado que passaria por cima de nós uma, duas, três vezes se andasse à solta (quer dizer, se a erudição cristã não o refreasse).

O que precisamos realmente, portanto, é de uma reforma que coloque até mesmo a Bíblia de lado. Sim, isso teria hoje em dia a mesma validade que teve o rompimento de Lutero com o papa. A presente ênfase em “voltar à Bíblia” tem, infelizmente, criado religiosidade a partir de uma trapaça erudita e literalista—mera manobra de diversão. Tragicamente, esse tipo de conhecimento tem gotejado gradualmente sobre as massas, de modo que hoje em dia ninguém é mais capaz de simplesmente ler a Bíblia. Todo nosso saber bíblico tornou-se nada além de uma fortaleza de desculpas e escapes. Quando se trata de existência, de obediência, há sempre algo de que devemos cuidar antes. Vivemos sob a ilusão de que devemos primeiro ter a interpretação correta ou a crença em sua forma perfeita antes de podermos começar a viver – quer dizer, nunca chegamos a fazer o que a Palavra diz.

A igreja vem há muito precisando de um profeta em temor e tremor que tenha a coragem de proibir o povo de ler a Bíblia. Sou tentado, portanto, a fazer a seguinte proposta. Coletemos todas as nossas Bíblias e juntemo-las em algum lugar aberto ou no alto de uma montanha e então, enquanto todos ajoelhamos, alguém fale com Deus da seguinte maneira:

“Leve esse livro de volta. Nós, cristãos, tais como somos, não somos aptos a nos envolver com tal coisa; ela apenas nos torna orgulhosos e infelizes. Não estamos prontos para ela.”

Em outras palavras, sugiro que nós, como os aldeões cujo rebanho de porcos arrojou-se na água e afogou-se, imploremos a Cristo que “retire-se de nós” (Mateus 8:34). Isso pelo menos seria um discurso honesto – algo muito diferente da erudição nauseante e hipócrita tão prevalente hoje em dia.

Em vão a Bíblia comanda com autoridade. Em vão ela admoesta e implora. Não ouvimos – isto é, ouvimos a sua voz apenas pela intermediação/interferência da erudição cristã, dos especialistas que tiveram treinamento adequado. Da mesma forma que um estrangeiro exige os seus direitos numa língua estranha e ousa apaixonadamente dizer palavras ousadas ao enfrentar autoridades do Estado – mas veja, o intérprete que deve traduzi-las para as autoridades não ousa fazê-lo, substituindo-as por alguma outra coisa – assim soa a Bíblia através da erudição cristã.

“Leve esse livro de volta.”

Afirmamos que a erudição cristã existe especificamente para nos ajudar a entender o Novo Testamento, a fim de que melhor possamos ouvir a sua voz. Nenhum lunático, nenhum prisioneiro de estado foi jamais confinado dessa forma. No que diz respeito a eles, ninguém nega que estão trancafiados, mas as precauções contra o Novo Testamento são ainda maiores. Nós o trancafiamos, mas argumentamos que estamos fazendo justamente o contrário, que estamos zelosamente engajados em ajudar a que ele ganhe clareza e controle. Por outro lado, naturalmente, nenhum lunático ou prisioneiro de estado poderia ser mais perigoso do que o Novo Testamento caso se permitisse que ele andasse à solta.

É verdade que nós, protestantes, empreendemos grandes esforços para que cada pessoa possua sua própria Bíblia – até mesmo em seu idioma nativo. Ah, mas como são grandes os esforços para imprimir sobre todos a noção de que ela só pode ser compreendida através da erudição cristã! Essa é nossa situação atual.

O que tentei demonstrar aqui pode ser declarado sem dificuldade:

Tenho desejado fazer as pessoas darem-se conta e admitirem que acho o Novo Testamento muito fácil de entender, mas tenho encontrado até agora a maior dificuldade para agir de forma literal em conformidade com o que ele diz tão claramente. Talvez eu pudesse ter tomado outra direção; poderia ter inventado uma nova espécie de erudição, dando à luz ainda outro comentário, mas estou muito mais satisfeito com o que fiz – uma confissão sobre mim mesmo.

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Søren Kierkegard, Provocations

Texto roubado do sáite A Bacia das Almas

Categorias:Reflexões, Teologia

DEUS NÃO TEM POVO

Uma das maiores pretensões do homem é achar que faz parte do “povo de Deus”. A ideia nefasta de que Deus tem um povo é tão absurda quanto antidivina. No entanto, desde os tempos imemoriais, as civilizações e os impérios tem explorado isto de diversas maneiras, seja para fortalecer o nacionalismo, se impor como seres superiores ou simplesmente para dar credibilidade à suas crenças ante o pluralismo religioso.
Ao afirmar-se como integrante de um suposto povo de Deus, o homem abre brecha para uma série de ações que variam de acordo com a sua concepção do que seja Deus. Curiosamente, a afirmação pretensiosa de povo de Deus não ocorria nas religiões e povos ditos pagãos, senão que o fenômeno aparenta ser forte característica do monoteísmo. Assim, os judeus acreditavam que eles eram a nação exclusiva do deus Yahweh, seu deus nacional e que refletia as particularidades e anseios dos semitas. Semelhantemente os muçulmanos se afirmam como povo do deus Allah, que nada mais é do que o deus judaico com traços árabes. Em meio a isso,  os cristãos institucionalizados de todas os times entram na batalha cujo premio é o status de raça eleita, povo escolhido de Deus, nação santa ou qualquer outro título não menos pretensioso.
Mas o status de ser povo de Deus gera um interessante efeito colateral. O povo de Deus torna-se o Deus do povo, pois o povo pensa que se apropriou de Deus de tal forma que fecharam todas as fronteiras e nacionalizaram o ser divino. Cresce então o orgulho e a luxúria, que abre várias portas para a violência, guerra e intolerância em nome de quem nada tem a ver com isso.
Como já disse em outro post, já se matou, estuprou, violentou e torturou gente demais em nome de Deus.
Portanto, para o bem da humanidade, proclamo: Deus não tem povo.

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Renatim

SE ELE ERA INOCENTE…

16/01/2012 1 comentário

Jesus era do ponto de vista do Sumo Sacerdote um herege e um impostor, do ponto de vista dos comerciantes um agitador e um comunista. Do ponto de vista imperialista dos romanos era um traidor, do ponto de vista do senso comum um louco perigoso. Do ponto de vista do esnobe, que exerce sempre grande influência, era um vagabundo sem um tostão.

Do ponto de vista da polícia ele era obstruidor das vias públicas, pedinte, aliado de prostitutas, apologista de pecadores e depreciador de juízes; seus companheiros eram vadios que tinham sido seduzidos de seus ofícios regulares para uma vida de vagabundagem. Do ponto de vista dos devotos Jesus era um violador do sábado, negador da eficácia da circuncisão, advogado do rito estranho do batismo, glutão e bebedor de vinho. Era odiado pela classe médica por praticar a medicina sem qualificação, curando as pessoas por curandeirismo e sem cobrar pelo tratamento.

Ele era contra os sacerdotes, contra o judiciário, contra os militares, contra a cidade (tendo declarado que era inconcebível que um rico entrasse no reino do céu), contra todos os interesses, classes, principados e potestades, convidando a todos que abandonassem essas categorias e o seguissem.

Por todos os argumentos legais, políticos, religiosos, do costume e da polidez, Jesus foi o maior inimigo da sociedade do seu tempo já colocado atrás das grades. Era culpado de cada acusação feita contra ele, e de muitas outras que não ocorreu a seus acusadores levantar. Se ele era inocente, o mundo inteiro era culpado. Inocentá-lo seria atirar pela janela a civilização e todas as suas instituições. A história confirma o litígio contra ele, pois nenhum Estado jamais constitui-se sobre os seus princípios ou tornou possível viver de acordo com os seus mandamentos; os Estados que assumiram o nome dele foi para usá-lo como credencial que os habilitasse a perseguir os seus seguidores de modo mais plausível.

Bernard Shaw, no prefácio de On the rocks (1933)

Categorias:Reflexões

RESOLVENDO O ENIGMA DA TRINDADE – PARTE I

14/01/2012 4 comentários

AVISO: Texto potencialmente perigoso para a sua fé! Se nao tem certeza da sua fé, NAO LEIA!!

Por Renato A. O de Andrade

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De todos os enigmas que a humanidade vem tentando solucionar, o mais intrigante seja talvez, a chamada Doutrina da Trindade. Durante séculos tem havido debates acirrados em torno da natureza trinitariana de Deus e a fútil tentativa de explica-la através da razão. Os teólogos trinitarianos consideram-na como uma das doutrinas de base para a fé cristã, assim como outras doutrinas não menos eruditas como a justificação pela fé, a infalibilidade da Bíblia como Palavra de Deus, a morte substitutiva de Jesus e tantas outras que juntas formam a base do cristianismo institucional. Negar a Trindade, afirmam eles, implica necessariamente em negar a Bíblia e sua autoridade, a pretensa divindade de Jesus e por fim o sacrifício redentor na cruz. Daí surgiram, desde a Idade Média, as violentas perseguições aos que negam tal doutrina, perseguições estas que foram executadas não apenas pela Igreja Católica e seu mecanismo judicial, a Inquisição, mas também por aqueles que diziam combater as “heresias e abusos da Igreja”, isto é, os protestantes. Sim, tanto Lutero, quanto Calvino e Zwinglio eram partidários do derramamento de sangue em nome da “sã doutrina”, e nisto estava inclusa a negação da Trindade. Em suma, estavam fazendo a mesma coisa que tanto condenavam na Igreja Católica.
Mas afinal, qual é de fato o problema com a Trindade que leva muitas pessoas a negarem esta doutrina? É simplesmente a total e absurda falta de lógica na formulação tradicional dela. De fato, ela sequer é citada com este nome na Bíblia e todas as referências a ela não passam de pura especulação conceitual. A Trindade em si quebra diversos paradigmas e postulados da Lógica e da Matemática, e até mesmo numa conceituação simbólica e filosófica é impossível de ser compreendida. Aparentemente, o cara que postulou o enunciado trinitariano era dotado de uma genialidade superior à de Einstein para conseguir criar uma coisa dessas e ter absoluto sucesso em sua empreitada…
Sem mais delongas, vamos ao que afirma os postulados da Trindade:
– Há um só Deus, que pode ser compreendido em três pessoas, a saber: Deus Pai (vulgo Yahweh, Javé ou Jeová), criador de todas as coisas; Deus Filho, Jesus, o Redentor da Humanidade; e Deus Espírito Santo, o Consolador.
– Todos os três são um só Deus (?!), mas nenhum é o outro, ou seja, o Pai não pode ser o Filho, o Filho não pode ser o Pai, o Espírito Santo não pode ser o Filho nem o Pai…,enfim, cada um com sua própria função.
– Curiosamente, Deus Filho e Deus Espírito são subordinados a Deus Pai e coexistem com ele (!!).
– Mas os três compartilham da mesma natureza divina e dos atributos divinos.
– E todos eles existem desde a eternidade.
Resumindo tudo isto, há um só Deus que se divide em três pessoas e as três pessoas são um só Deus. Entendeu? Não? Nem eu.
Como se vê, a Trindade não é algo para mortais como eu ou você entendermos. Isto porque causa um choque cerebral de tal forma que nossas mentes não conseguem entender como 1 = 3 e 3 = 1. Felizmente, há algumas boas almas que tentaram esclarecer as coisas, ao contrário de muitos crentes que por preguiça ou conformismo, preferem dizer simplesmente que “há coisas que Deus não revelou e portanto, anote num papelzinho e pergunte a ele quando estiver no céu (se você for para o céu, é claro)”. Vejamos alguma coisa que possa nos dar alguma luz.
O Triangulo

Certos teólogos afirmam que o conceito trinitário pode ser compreendido fazendo-se alusão ao triangulo. O triangulo é uma figura geométrica com três lados. Ah, sim, esqueci de especificar o tipo, tem que ser um triangulo isósceles, ou seja todos os lados iguais. A ideia é que Deus pode ser comparado a um triangulo, tem três lados iguais, mas formam uma figura só. Ou seja, Pai, Filho e Espírito Santo são os lados A B e C, e todo o triangulo ABC é Deus. Algo mais ou menos assim:

Esta tem sido a ideia mais difundida da representação da Trindade. No entanto, a própria representação se extingue quando uma das pessoas sai do triangulo. Se todos os lados são igualmente Deus, então deve haver independência entre eles, já que sendo Deus, eles podem fazer o que bem entenderem sem dar satisfações um ao outro. Assim, se uma pessoa da Trindade (que é Deus) resolve sair do triangulo, como houve com Jesus como afirma o Cristianismo, já não é mais um triangulo, e portanto, se esta pessoa resolve se rebelar contra as outras duas (que também são Deus) então se destruirão mutualmente e não haverá mais Deus ou as duas destruiriam o rebelde e não haverá mais Trindade! Porém, tanto uma opção quanto a outra entram em contradição com o postulado da submissão do Filho  e do Espírito Santo ao Pai.  Mas se o Filho e o Espírito Santo são iguais ao Pai em poder e divindade, como podem ser submissos a ele? Afinal, se houvesse uma batalha, seria dois contra um… E se o Pai tem o poder supremo, então os outros dois seriam deuses menores ou semideuses o que anula completamente a  noção de tri-unidade e tri-divindade. De qualquer forma, a melhor representação para estes casos não é a figura acima, senão esta abaixo, muito famosa por sinal.

Os Estados Físicos da Água
Há uma alma inteligente que comparou a Trindade com os estados físicos da água. De acordo com a teoria, Deus é que nem a água, que pode se manifestar em três estados, sólido, líquido e gasoso. Os estados da água fazem com que ela mude de aparência, mas sua composição química básica (H2O) não muda. Assim, o Pai, o Filho e o Espírito Santo seriam os estados de Deus. Como disse Bill Maher, dá pra ser pego por alguns instantes por esta interessante ideia, mas depois vê-se a inconsistência  desse argumento. Apesar da água possuir três estados, os três  não podem coexistir ao mesmo tempo. Ou seja, não existe uma água que seja gelo e vapor ao mesmo tempo em que está em estado líquido. Além disto, ao passar para um estado ela deixa de ser o outro estado. Logo, esta  não  é uma boa ilustração para a Trindade.

Como vemos, as principais tentativas de se explicar a Trindade acaba por contradizer-se, já que o problema todo está na base. A maioria dos cristãos e religiosos se conformam apenas em dizer  que  “Deus está além da nossa imaginação!”. Ou será que é a ideia da Trindade que está errada? Eu poderia afirmar como alguns grupos defendem, que não há Trindade e ficaria tudo bem. No entanto, quis ver até onde poderia ir supondo que a Trindade realmente existe. E aqui está toda a conclusão para um dos maiores mistérios da humanidade.

Continua…

SOBRE A INSPIRACÃO E A INFALIBILIDADE DA BÍBLIA – Parte I

06/12/2011 3 comentários

Por Renatim

Desde há muito tempo tem havido debates calorosos  acerca de um livro conhecido como A Bíblia Sagrada. Chega-se inclusive, a ter assassinatos e torturas por parte de quem alega defender a autoridade bíblica e por quem nega tal autoridade. Como em geral os grandes debates costumam ser polarizados, temos de um lado aqueles que advogam a autoridade total, infalível e divina da Bíblia, ou como afirmava Spurgeon, “a Bíblia, toda a Bíblia e nada mais do que a Bíblia é a religião da igreja de Cristo”. Do outro lado, há os que definem a Bíblia como um mero livro de historinhas e invenções humanas e por isso não é de forma alguma, a Palavra de Deus.  A partir destas duas visões extremas, temos diversos abusos cometidos por ambos os lados em nome de Deus, ou da falta deste.

Os que afirmam ser a Bíblia 100% a Palavra de Deus costumam raciocinar da forma proposta por Norman Geisler e Thomas Howe em seu Manual de Enigmas, Dúvidas e “Contradições” da Bíblia:

                A Bíblia é a Palavra de Deus (premissa I)

               Deus não pode errar (premissa II)

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            Logo, a Bíblia não erra e portanto, é infalível (conclusão)

No entanto, deixando de lado as dicotomias tão presentes em quaisquer debates filosóficos, vamos olhar um terceiro lado, o qual eu acredito ser o mais plausível e equilibrado: a Bíblia contém a Palavra de Deus. O que significa isto afinal? Que a Bíblia não é 100% a Palavra de Deus, mas também não deixa de ter em suas páginas a Palavra de Deus. Isto quer dizer portanto, que há algumas partes desta que podem ser consideradas divinamente inspiradas e partes são simplesmente criações e interpreta­ções de uma cultura envolta de uma visão política de Deus. E neste último caso, acredito que o Antigo Testamento, em especial o Pentateuco se encaixa perfeitamente.

A lógica proposta por Geisler & Howe estaria correta se houvesse como provar a primeira premissa (A Bíblia é a Palavra de Deus). E é aqui que mora toda a problemática. Se admitirmos que a Bíblia inteira é a Palavra de Deus, teremos alguns problemas éticos e filosóficos bem interessantes que exponho a seguir, pegando apenas o Pentateuco e o comparando com as atitudes de Jesus.

O CONTRASTE ENTRE YHWH E JESUS

   Pergunte à uma ideia: A quem serves? – Bertold Bretch

Os judeus diziam que o nome de Deus era YHWH (tente pronunciar isso…), que numa transliteração posterior ficou como YAHWEH, que nas traduções muito posteriores ficou como Javé ou Jeová. Afirmavam que este Deus apareceu aos patriarcas Abrão, Isaque e Jacó, que foram os responsáveis pelo surgimento da nação judaica e que esta seria única e exclusivamente o povo de Deus. A partir de Moisés a nação passou a ser regida por um grupo de sacerdotes (que não existiam antes na identidade judaica) e por um código de conduta semelhante ao Código de Hamurábi (que foi feito muito antes) teoricamente dado por Deus a Moisés. Ora, é aqui justamente o problema. Com exceção dos Dez Mandamentos que são de fato, Palavra de Deus, a Lei de Moisés apesar de melhorar em muitos aspectos os códigos anteriores e piorar em outros, contém contradições com a conduta de Jesus no Novo Testamento e com o próprio relacionamento entre o homem e Deus. Vejamos alguns exemplos:

Se uma jovem é dada por esposa a um homem e este descobre que ela não é virgem, então será levada para a entrada da casa de seu pai e a apedrejarão até a morte.

Deuteronômio 22:20-21

Desde a primeira vez que li este versículo, estremeci e fiquei pensando se isso era de fato uma lei de Deus ou simplesmente uma lei criada por homens daquela terra para obter poder total sobre as mulheres. Fazendo uma análise deste versículo, temos que:

– A mulher não tinha direito de escolha, já que ela era dada por esposa a alguém por seu pai, o que faz deste suposto Javé um deus tipicamente machista e concentrador de poder.

– Aparentemente, ao homem não era exigido a castidade , e muito menos a pena era aplicada a ele. Portanto, Javé não é justo.

– A falta de hímem não implica necessariamente na perda da virgindade, já que esta pele pode se soltar de outras formas que não sejam relações sexuais. Além disto, há a possibilidade desta mulher ter sido abusada e estuprada em algum momento ates do casamento, o que torna a lei completamente injusta  para com elas. Portanto, este deus é falso, visto que se ele criou a mulher, deveria saber destes aspectos biológicos  e sociais que podem ocasionar a perda do hímem.

– A barbaridade chega a tal ponto de a filha ser executada na porta de seus pais. E Javé é dado como um Deus misericordioso!

– No final, tal atitude beneficia apenas o homem, visto que a mulher se enquadra na sociedade judaica como mercadoria sexual, não havendo a necessidade de sentimentos reais para se ter um casamento.

Os teonomistas não tem argumentos contra os expostos acima.  Não obstante, o problema gera uma questão ética filosófica séria:

Se YHWH é misericordioso e bom como afirma vários textos do Antigo Testamento, então Ele não poderia exigir a morte de uma jovem por não apresentar o hímem por quaisquer motivos. Se Ele é justo, estaria cometendo injustiça grave ao igualar a falta do hímem ao crime de homicídio, que é o que esta lei esta fazendo. E por fim, se um homem se casa com esta jovem e vê que ela não é virgem, mas ele a ama de verdade e a perdoa e escolhe viver com ela, não estaria este homem violando a lei de Deus? Sim! No entanto, tal homem é incrivelmente, mais misericordioso do que o próprio Deus e portanto, melhor do que Deus, o que é impossível! Conclusões:

– Javé é um deus mesquinho, sádico e vingativo E todo o resto do Velho Testamento que diz que ele é misericordioso, bondoso etc é FALSO.

– OU a dita Lei não foi criada por Deus e talvez nem por Moisés e sim por sacerdotes posteriores que afim de justificar seus atos cruéis disse que tais atos eram ordens de Javé, assim como os papas usavam Deus  para justificar atos hediondos durante a Idade Média.

Se a Bíblia é infalível e ela toda é a Palavra de Deus então optamos pela conclusão I. No entanto, a própria conclusão entra em contradição com a premissa I de Geisler & Howe, já que a conclusão de que YHWH seja um deus mesquinho, sádico e vingativo implica necessariamente na anulação de todo o resto do texto que afirma a  imagem de um deus bondoso, o que consequentemente nos leva à conclusão de que nem toda a  Bíblia é palavra de Deus. Logo, quaisquer que sejam as conclusões, temos que a credibilidade do texto bíblico está seriamente prejudicada.

No que concerne às diferenças entre as atitudes de Jesus e a lei de Moisés, tais diferenção são muito visíveis. E aqui a lógica se aplica também: Se Jesus é Deus encarnado e a Lei de Moisés era a lei de Deus, não há como ele desobedecer sua própria Lei, já que ele estava sujeito a ela enquanto estivesse em sua forma humana. Entretanto, por várias vezes Jesus pareceu desobedecer à Lei na visão dos grandes mestres da época, os fariseus. Isto significa duas outras possibilidades:

– Jesus estava desobedecendo à interpretação errada da Lei por parte dos fariseus.

– OU a tal Lei de Moisés não era de fato, Lei de Deus.

Admitindo a primeira possibilidade, temos que admitir também que havia erros nos textos do Pentateuco, já que o próprio Jesus afirmava que ninguém seguia o texto da Lei ao pé da letra como os fariseus. E não é pra menos. Durante 400 anos os judeus foram exilados na Babilônia, um povo cruel e sanguinário, adepto de religiões diferentes da praticada pelo povo judeu. No contato entre eles, pode ter havido um sincretismo,  isto é, uma mistura das filosofias religiosas, como é o caso da Cabala, mistura de judaísmo com o misticismo babilônico.  Assim, é possível que muita coisa tenha sido apreendida por aqueles que futuramente se tornariam sacerdotes do Grande Templo de Jerusalém, que tivesse influenciado no texto da Lei e em sua interpretação.

Já na segunda possibilidade, temos que Jesus anula por completo qualquer coisa que está na Lei de Moisés que se contraste com o mandamento áureo da filosofia cristã “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”, que pode ser resumido na prática do “faça aos outros aquilo que gostaria que fizessem com você”, como o próprio Jesus afirma. Há total incompatibilidade das penas de morte aplicadas no Antigo Testamento com este mandamento, já que ninguém quer matar a si mesmo, já que se fizesse isto faria em si mesmo primeiramente, o que não daria tempo de fazer em outra pessoa. Logo ninguém tem o direito de matar ninguém. Mas alguém diria que quem mata e o Estado e portanto este estaria isento deste princípio. Entretanto, o Estado é uma invenção humana para alguém manter o poder e controle sobre a vida dos outros e curiosamente, a Lei de Moisés de nada serviu quando Davi no posto de Rei adulterou com Bate-Seba e matou o marido desta. O Estado é feito, acredito, por pessoas humanas (ou semi-humanas, talvez) e é na teoria a representação de um coletivo, logo se um Estado se diz cristão (como os EUA), e se diz a representação de Deus na Terra, deve haver subordinação a este mandamento do próprio Deus encarnado.

No famoso caso da mulher adúltera, temos os fariseus trazendo uma mulher que se enquadrava nos artigos da Lei de Moisés passíveis de punição capital.  Ora, a princípio os fariseus não forneceram quaisquer provas de que a mulher foi realmente pega em adultério.  A resposta de Jesus a eles implicava em dupla condenação, a individual e a coletiva. Ao dizer “quem estiver sem pecado que seja o primeiro a lhe atirar pedra”, Jesus estava expondo violentamente o podre do indivíduo (que não vê erros em si mesmo e que deseja ter o poder sobre a vida de outra pessoa, mesmo que para isso tenha que deturpar o que Deus disse) e o podre do coletivo social humano que se rebaixa a um pequeno grupo de pessoas e acaba contribuindo com a massificação da crueldade e da exploração em nome do poder e do dinheiro.

Caso semelhante pode ser avaliado no massacre de mulheres e crianças perpetrado por Josué. De acordo com a Bíblia, Deus ordenou que Josué entrasse em Jericó e não deixasse  ninguém respirando, um massacre total que inclui animais, mulheres, crianças e idosos. O problema é: esta atitude de Yahweh é coerente com a atitude revelada por Jesus? De maneira nenhuma! Tal massacre tem, como John Piper afirma, dimensão étnica e política (e Piper é a favor do massacre, pelo simples fato de que foi Deus quem ordenou para executar seu julgamento). Ou seja, o objetivo maior de Josué era conquistar a terra de Jericó e exterminar seus habitantes, nem que para isto tenha que dizer que Deus ordenou a matança!

No entanto, os teólogos que buscam defender a integridade total da Bíblia afirma que as crianças foram poupadas de um futuro ruim já que quando elas morrem, vão direto para o céu, como anjinhos fofinhos… Lindo! Então façamos um favor à humanidade e matemos todas as crianças! E quanto às mulheres, idosos e animais? Ah, morreram porque Deus executou seu julgamento sobre os pecados deles. Muito bem, e se eu dissesse que Deus me ordenou a matar toda a humanidade por causa dos pecados e crueldades da mesma?

O que estou querendo dizer até aqui é que nossa visão acerca da Bíblia  e de Deus foi muito influenciada pela visão deturpada da sociedade judaica sobre o que seja Deus e pelos impérios que nos forneceram as doutrinas que adotamos hoje. Ao adotarmos a Bíblia como infalível e inerrante, estaremos nos submetendo às manipulações decorrentes das forças culturais destes povos, e consequentemente, concordamos com as crueldades cometidas por estes em nome de sua imagem de Deus.

Continua…

O QUE DESTRÓI A HUMANIDADE

07/11/2011 2 comentários

A Política, sem princípios; o Prazer, sem compromisso; a Riqueza, sem trabalho; a Sabedoria, sem caráter; os negócios, sem moral; a Ciência, sem humanidade; a Oração, sem caridade.

Mahatma Gandhi

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