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A HIPOCRISIA DOS DIREITOS

08/06/2013 1 comentário
Está rolando no Facebook diversos textos de alguns blogs e sites boicotando o recém aprovado Estatuto do Nascituro. Nada mais justo, todos tem a liberdade de opinar. Dito isso, vou fazer algumas considerações sobre o tema, mas antes quero pontuar algumas coisas que as mesmas pessoas que opinaram contra o estatuto costumam defender como Direitos, para demonstrar até onde chegamos em nossa inversão de valores:
•Direito dos Gays – Ok, nada mais justo propiciar união civil entre eles, se assim eles querem. •Direito das Mulheres de denunciar violência doméstica – Perfeito, tem que botar esses homens idiotas na cana mesmo.
•Direito dos Criminosos – Ok.
•Direito dos Animais em Extinção – Qualquer pessoa em sã consciência defenderiam o direito dos animais em extinção.
•Direito das Plantas em Extinção – ótimo, no entanto precisa-se de algumas melhorias em projetos do tipo.
•Direito de fumar maconha e usar outras drogas por aí – Forçando muito  a barra, pode até ser aceitável em certos níveis.
•Direito dos Marcianos – Lindo.
Mas quando a questão é sobre o direito humano do nascituro, fazem um alarde enorme. “Mimimii que o estatuto fere o direito reprodutivo e sexual das mulheres”, “mmimi que ele trata as mulheres como vaso de planta”, “mimimi isso é bolsa estupro”. Nunca ouvi tamanha besteira.
O que são os tais “direitos reprodutivos e sexuais” das mulheres? O direito dela ir numa festa , tomar tequila até cair de bêbada e depois transar com um desconhecido qualquer, e quando descobre que está grávida, vir com o desespero e querer tirar o bebê, por conta de sua própria irresponsabilidade? Quer transar, transe! Use camisinha, não é isso que tanto propagandeiam por aí? Mas a mentalidade moderna ficou tão fissurada em sexo que ficam inventando direitos sexuais, esquecendo que o sexo tem que ser um ato responsável.
“Ah, mas as mulheres pobres não tem acesso ao aborto enquanto as ricas tem”, dizem eles. Ora, as ricas que o fazem, fazem clandestinamente ou fora do país. Estão furando a lei. Mas num mundo onde algumas meninas não tem qualquer bom senso musical e ficam ouvindo “vai novinha, vem pro colinho do papai”, e coisas do tipo, vivem em bailes funk e derivados  e vivem transando sem camisinha, querem que aconteça o que? O bebê é apenas consequência natural de sua irresponsabilidade.  “Ah, falta de informação”, o car@$&*! O governo gasta milhões todo ano para levar prevenção nas escolas, distribuindo camisinhas de graça, tem outdoors  e panfletos espalhados pra todo lado, informação o bastante na internet e ainda querem vir com desculpa de falta de informação? É muita falta do que fazer.
Tudo tem limite. Menos para a burrice humana. Mas as consequências estarão aí, mais cedo ou mais tarde.
Não vou abordar questões sobre aborto por estupro porque são outros quinhentos, envolvem situações muito mais complexas de ética e moral, e não fazem parte do escopo desta crítica. Mas é interessante notar que um dos textos que li por aí afirma que a mulher não aborta por abortar, que não é fácil pra ela fazer isso e que elas apenas tomam esta atitude após refletirem bastante… Quanta balela! Onde uma menina que acaba de ver a besteira que fez no baile funk na noite anterior vai refletir alguma coisa? Ela vai agir conforme o desespero, e só depois que o aborto for consumado é que ela vai sentar pra refletir sobre algo. E dizer que a mulher é dona do seu próprio corpo e por isso tem direito de abortar sem mais nem menos é uma falácia enorme, já que:  1- o pai da criança, se conhecido, também deveria participar desse processo de decisão, já que o filho é dele também;  2 – em todo caso, o bebê é um outro corpo, não faz parte do corpo dela.  E numa sociedade onde há uma miríade de direitos humanos, onde está o direito do nascituro?
E com tanta gente querendo adotar, porque não entrega essa criança pra adoção se for o caso de recursos financeiros ou de estupro?
Quanto a chamarem o Estatuto de Bolsa Estupro, por decretar que o Estado deve pagar uma pensão para a mãe de uma criança concebida após um estupro, essas mesmas pessoas não gostam quando chamam o Bolsa Família de Bolsa Esmola, o Auxílio Reclusão de Bolsa Bandido, o programa de tratamento de usuários de drogas de SP de Bolsa Crack… Mas claro, apenas porque o Estatuto foi proposto e aprovado pela bancada religiosa é que agora vão colocar apelidos nos projetos.
Enfim, estamos vivendo uma época de tamanha hipocrisia, contradições e inversão de valores, que  uma tartaruga é mais valiosa que a vida humana.
Meu recado pra você é simples: não seja idiota! Não fique compartilhando textos no facebook (inclusive este aqui) sem pensar, apenas porque foi a ATEA, o Sakamoto, o Feliciano, o Papa, o Renato, o Capeta ou o Supremo Comandante das Forças Marcianas da Via Láctea disse. Estude, leia, pense, reflita, duvide. Veja o conhecimento adquirido pela humanidade em milhares de anos, que muitos desses blogueiros simplesmente ignoram.
Leia Sócrates, Platão, Aristóteles, Buda, Jesus, São Paulo, Santo Agostinho, Tomás de Aquino, Maomé, Voltaire, Rousseau, Maquiavel, Gandhi, Leon Tolstoi, Karl Marx, Sigmond Freud, Carl Jung, Arthur Schopenhauer, Joseph Campbell, Nietzche, Adam Smith, Leo Huberman, Naomi Klein, Carl Sagan, Tolkien…
Meu desabafo está aí. Podem chamar a Inquisição agora.
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ESPERANÇA…??

Hoje o mundo está cada vez mais sangrento… O ar, a terra, o mar, até mesmo o espaço, está tudo condenado. Tudo se converte em zonas de guerra, fome, doença, dor e morte. Vejo sangue por toda a parte, tudo por causa de rodinhas de metal. E fico a pensar: Será que temos alguma chance de sermos felizes?

Peço socorro à história, busco respostas nas memórias e tudo que encontro é apenas a escória, a podridão… Porque quando o homem deu mais valor a rodinhas metálicas do que ao seu semelhante, estava condenando de forma humilhante todos os seus descendentes. E desde então, a história tem sido pintada de rubro-negra. De sangue e trevas. De violência e morte.

Políticos que deveriam fazer o bem, roubam todas as esperanças do povo e as deixam nas mãos de banqueiros corruptos, egoístas e sedentos pelo poder. As pessoas decepcionam, casais que antes tinham um forte relacionamento se separam facilmente, a hipocrisia governa, a ignorância se perpetua, a violência continua, tudo isso em no mínimo, 6000 anos e absolutamente nada mudou? Porque?

Não há socorro – penso em meu desespero. Ninguém conseguiu fazer a humanidade inteira seguir o caminho do amor, nem mesmo o filho de Deus, quanto mais eu!

Amor? Ah, o amor… linda palavra, lindas ações, são muito poucos os que se interessa em amar de verdade realmente.

Apenas posso tentar manter as esperanças…. as poucas que eu ainda acho que restam. Só mantendo essas esperanças é que poderei de fato, tentar amar…

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ABORTO: UM PROBLEMA DE SAÚDE OU GESTÃO PÚBLICA?

Nos últimos anos tem havido intensos debates políticos, sociais e jurídicos acerca do aborto. E não é pra menos, numa sociedade onde cada vez mais os antigos valores vêm sendo deixados de lado, defender o direito ao aborto tornou0se um dos grandes itens da cartilha politicamente correta. Como sempre houve na história, há quem é contra a prática por motivos religiosos e há quem seja a favor por motivos humanitários. Com isto, a discussão muitas vezes torna-se polarizada, um duelo entre religiosos e cientistas, crentes e ateus conservadores e liberais. Assim, a questão deixa de ser social e se torna ideológica.

No geral, as perguntas que envolvem a discussão são sempre as mesmas: onde começa a vida? É ético abortar fetos ancéfalos? A mulher tem direito sobre seu corpo? Tudo parte do pressuposto filosófico e teológico da vida ou da falta dela e assim se desenrola a questão. Até a discussão política torna0se polarizada. Em geral, os de esquerda tendem a apoiar o direito ao aborto em prol da liberdade  de escolha da mulher e os de direita tendem a suprimi-lo porque abortar seria tirar uma vida. A dificuldade do consenso não está de fato nos valores abraçados por cada lado, senão nas perguntas que foram feitas para se chegar ao problema. Proponho deixar de lado essa dicotomia e vamos tentar analisar o problema de uma outra perspectiva, fazendo outra pergunta que, acredito, até agora ninguém fez:  É o aborto um problema de saúde ou de gestão pública?

A pertinência da pergunta reside no fato de que, se por um lado dados estatísticos apontam enormes falhas no sistema de saúde pública que acabam levando à morte centenas de mulheres grávidas que não tem condições de criar seus filhos e quando elas sobrevivem acabam abandonando essas crianças, por outro lado há real interesse dos governantes em relação ao aborto pelo simples fato de que ele possibilita maior controle de natalidade sem que haja coerção por parte do Estado. Não obstante, estamos numa época onde o consumo de alimentos industrializados, a poluição e alguns fatores ambientais tem propiciado maior crescimento de doenças e problemas de saúde pouco ou jamais relatados há 100 anos atrás. De fato, o número de DSTs não aumentou por problemas de saúde pública, senão pelas novas políticas de educação sexual promovidas após o surgimento da chamada Revolução Sexual, bem como o número de estupros ocasionados pelo excesso de exposição de conteúdo sexual na TV, Internet e publicações impressas nos dias de hoje.  O mesmo pode se afirmar em relação à ancefalia e outras deformidades e doenças antes tidas como raras, agora são e certa forma comuns. É sabido que substancias industriais contidas nos alimentos e na atmosfera  podem causar sérios problemas na formação do feto, desde problemas físicos até psicológicos.  Se não há controle por parte do governo sobre as indústrias e um currículo escolar que preze pelo respeito à sexualidade humana, evidentemente que o número de crianças com problemas irá aumentar, assim como o número de adolescentes grávidas e sem quaisquer preparos para serem mães também irá aumentar, consequentemente exigindo uma resposta dos serviços de saúde. A resposta mais fácil, rápida e barata é o aborto, mas não é de fato a solução do problema.

Creio portanto, que o aborto é antes de ser um problema filosófico,teológico e social, um problema político-ambiental que tem como raízes a economia. Nos EUA por exemplo, a maior apoiadora do aborto é a Federação de Planejamento Familiar, que basicamente é uma enorme indústria que fatura bilhões de dólares com a matança de bebês em gestação. O governo na verdade não quer defender o direito das mulheres, senão de gastar menos com saúde e educação de qualidade e para isso utiliza a retórica do aborto. Da mesma forma que ele não tem o controle da indústria alimentícia, química e farmacêutica, porque está refém delas.

A questão portanto, não é se o aborto é ético, certo, errado, crime ou pecado. O que se deve discutir não é isso, e sim como torná-lo irrelevante e desnecessário.

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Renato A. O. de Andrade

A LOUCA MENSAGEM DE UM JUDEU ERRANTE

20/03/2012 3 comentários

O Reino de Deus está em vós (Lucas 17:21)

Que Jesus era louco todos os fariseus concordavam. Jesus era um judeu errante, não tinha moradia fixa, que vivia no meio dos pobres, dos agiotas, das prostitutas, das mulheres, dos publicanos, dos beberrões e toda a sorte de pessoas “pecadoras”,e era para os judeus daquela época um doido varrido, impuro e pecador. No entanto, o que mais chamava atenção das lideranças era de fato a ideologia por trás daqueles atos. Antes de analisarmos isto, vamos tentar entender o motivo de tanto espanto e rejeição dos fariseus e saduceus aos preceitos de Jesus.

Segundo consta na História, Israel estava sendo subjugado pelos romanos, um povo cruel, mas astutos o bastante para usar ao seu favor a espiritualidade dos povos que dominavam. Os imperadores romanos sabiam do potecial da religião para pacificar as camadas mais reacionárias da população e por isto combinavam com os sacerdotes algumas trocas de favores: estes mantinham o povo quieto enquanto Roma dava alguns privilégios como a liberdade de culto. Entretanto, os judeus não são um povo que aceitam serem subjugados facilmente. Houve diversas revoltas, como a dos Macabeus, mas sem sucesso. Restava então a esperança do anunciado Messias. Para os judeus o Messias ainda estava por vir para libertar Israel do domínio do Império Romano. Tal visão estava vinculada aos vícios de interpretação das profecias de Isaías. Os líderes judeus esperavam portanto, um rei que descendece da casta real de Davi e fundasse de uma vez por todas um império teocrático judaico, com toda a pompa e riqueza que deveria ter. Este seria então, o Reino de Deus.

Então aparece na história um homem que proclamava a proximidade do Reino de Deus. João Batista vivia no deserto pregando que em breve o Reino estaria na Terra e para participar dele todos deveriam se arrepender e voltarem-se para Deus. Aparentemente, João também estava esperando um Rei nos moldes de Davi, o libertador de Israel. De repente eis que aparece Jesus, primo de João, falando coisas ainda mais absurdas a tal ponto de até mesmo o próprio João Batista espantar-se. A mensagem de Jesus era clara: o Reino de Deus chegou! As pessoas no primeiro momento se empolgavam na esperança de que Jesus pegasse em armas e liderasse o povo para destruir os romanos.

É hora da revolução…

Mas, aqui começam todos os problemas. A revolução que queriam os judeus não veio. De fato, no ano 70 dC os judeus quase foram completamente exterminados pelos romanos sob Vespasiano. O Templo, símbolo nacional, foi completamente destruído como Jesus dissera que aconteceria. O restante do povo espalhou-se pelo mundo, a chamada Diáspora ou dispersão judaica. Desde então, até 1947 Jerusalém não seria mais a terra de Israel.fato,

A revolução de Jesus não era uma revolta política com o intuito de tomar o poder. Tampouco era algo como a Revolução Cultural de Mao Tse Tung. De fato, depois de muito tempo andando com o Mestre, seus discipulos finalmente ficaram tão impacientes que perguntaram quando viria o tal Reino que era uma constante no discurso de Jesus. Este então lhes respondeu:

O Reino de Deus está dentro de cada um.

Compreender os desdobramentos desta mensagem com as atitudes de Jesus nos levará a abrir os olhos para coisas jamais enxergadas como possíveis para nós humanos. O Reino de Deus é de fato, uma revolução ativa, que pode elevar o ser humano a um patamar muito superior ao que era antes, através de pequenas coisas. É formidável!

Como afirma Paulo, a mensagem do Reino é escândalo para os judeus e loucura para os gentios. Também é tudo isto para a Igreja, o Estado, o Exército, enfim, todas as Instituições Sociais. É a loucura levada ao extremo.

Sim, porque como veremos mais adiante, para o Reino não existe Estado, Igreja, Exército, Leis, Tradições, nada disso. É na verdade, um reino sem rei, uma revolução sem líderes e um exército sem armas.

E, acredite, esta é a maior revolução de todos os tempos.

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RESOLVENDO O ENIGMA DA TRINDADE – PARTE II

08/03/2012 5 comentários

Supondo que exista a tal Trindade (é possível que de fato, não exista), isto é, a tripla manifestação de Deus enquanto ao mesmo tempo ele seja um só, nos é necessário averiguar alguns pontos chaves que apontam para tal natureza. No geral, são estes os argumentos bíblicos utilizados para provar a existência da Trindade.

João  1: 1-4

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
Ele estava no princípio com Deus.
Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.
Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.

Colossenses 2:9

 Porque nele (Cristo) habita corporalmente toda a plenitude da divindade;

Gênesis 1:1

No princípio, criou Elohin o céu e a terra.

 

João 8:23-24

 

E dizia-lhes: Vós sois de baixo, eu sou de cima; vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo.
Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados, porque se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados.
Disseram-lhe, pois: Quem és tu? Jesus lhes disse: Isso mesmo que já desde o princípio vos disse.

Estes são alguns versículos utilizados para “provar” a ideia do Deus trino. Como se pode ver, toda a necessidade da doutrina da Trindade gira em torno da ânsia de provar que Jesus é Deus. Caso contrário, afirmam os religiosos, toda a fé cristã vai por água abaixo.

Bom, acredito não caber neste pequeno espaço uma discussão acerca da pretensa divindade de Jesus e toda aquela ideia de dualidade humana-divina (união hipostática). Isto porque não tenho a pretensão de provar que a Trindade como a conhecemos exista (o que dá razão aos postulados da divindade de Jesus) nem que ela não exista (e assim, acabar com quase dois mil anos de mentiras). Vamos ao que realmente interessa (enfim!!).

O primeiro passo para compreender a Trindade é o que todos deveriam ter feito há milênios atrás: enxergar a Deus como o Amor. E assim, despessoalizá-lo.

A afirmação dada no início do evangelho de João apenas fará algum sentido real se trocarmos a palavra Verbo pela palavra Amor. Ao fazer isto, estaremos chegando ao texto abaixo:

 

No princípio era o Amor, e o Amor estava com Deus, e o Amor era Deus.
Ele estava no princípio com Deus.
Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.
Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.

Agora a afirmação tem algum sentido e não se contradiz com o dizer de Paulo em Colossenses 1:15 de que Jesus seria o primogênito de toda a criação.   Aqui entra em cena a despessoalização. Tratar a Deus como três pessoas distintas e dizer que as três formam um só Deus em mesmo poder, conhecimento e glória é chamar qualquer pessoa do mundo de idiota, já que isto vai contra qualquer lógica concebida pelo homem.  E dizer que o homem não pode compreender a lógica de Deus é cometer o pecado da preguiça intelectual.

Ao despessoalizarmos as pessoas supostamente envolvidas com a Trindade,teremos algo compreensível. Assim, ao admitirmos que Jesus não é ninguém menos do que a encarnação do Amor e não diretamente uma encarnação de Deus ou da segunda pessoa da Trindade,. Neste sentido, Jesus seria o próprio Amor encarnado. É por isso que ele era humano e dependente de Deus, mas não era Deus, caso contrário não faria sentido algum ele na condição humana ter ressuscitado a si mesmo e muito menos a suposta fala com o Pai em seu batismo. Alguns questionariam a sentença proferida anteriormente com a afirmação de Paulo de que nele está toda a plenitude da divindade, e por isso ele era Deus. Ora, se Deus é amor, então sua plenitude seria o próprio amor. Assim, Paulo poderia estar querendo dizer que em Cristo habita o amor supremo, que é justamente a plenitude de Deus e que o faz ser chamado de Filho de Deus pela prática deste amor. Assim sendo, como Deus é amor, faz sentido a afirmação de que  “eu e o Pai somos um”, já que os dois compartilham não a natureza divina, senão a natureza do amor, e por isso, tendem a agir e pensar em prol de um objetivo comum.

Dizer que o primeiro versículo da bíblia dá base para a trindade é desconsiderar os próprios judeus, que não tinham nenhuma noção de trindade. Ao contrário, a bíblia hebraica não cansa de repetir que há um só Deus, aquele que alguns pretensiosos deram o nome de YHWH (Yahweh). Para os judeus, o mundo foi criado por Yahweh com a ajuda de anjos e por isto está escrito a palavra Elohin (deuses).

Por fim, o Espírito Santo seria então a plena manifestação voluntária do homem que compreendeu o caminho do amor, entendeu a vontade de Deus e passou a praticá-la. Assim, seria o próprio agir de Deus dentro da consciência humana.

Com isto, temos Deus, Jesus como sendo a encarnação do amor de Deus (e indiretamente sendo assim parte da natureza de Deus) e o Espíirito Santo que age no homem conforme a vontade de Deus (e portanto, seria Deus agindo no homem). Este é ao meu ver, o único modo de explicar que os três são um só.

Bom, tudo isto são apenas teorias e estão abertas para discussão. O que não podemos fazer é aceitar como verdade absoluta uma coisa que sequer entendemos direito. A busca pela verdade não passa apenas por suposições e imposições. Ela deve ser entendida e sempre aberta a reformulações.

COMO LER A BÍBLIA

20/02/2012 4 comentários

1 – Use o bom senso.  Não faça como a grande maioria que elogia Abraão como um exemplo de fé. Ele poder ter oferecido Isaque  para sacrificar apenas porque em sua cultura em Ur dos Caldeus haviam religiões que pregavam o sacrifício de crianças para aplacar a fúria dos deuses ou atrair bênçãos destes. Neste sentido, ele já estava acostumado a ver isso por lá e sacrificar Isaque poderia ser considerado para ele como algo trivial. De resto, nenhum pai sensato faria uma coisa dessas com seu próprio filho, nem que divindade alguma lhe pedisse isso. Eu pelo menos não faria. E você não precisa matar uma pessoa apenas porque ela está trabalhando em um da que você não trabalha ou se afastar de sua esposa e considerá-la imunda apenas por ela estar menstruada. Em suma, repetindo: use o bom senso. Ponto final.

2 – Ao ler o antigo testamento, tenha em mente uma coisa: é um texto judeu, escrito por e para judeus, que apresenta um deus judeu, uma cultura judaica, uma visão judaica da espiritualidade, amparada por sacerdotes e reis judeus que queriam manter o controle sobre os judeus, dentro do Império Judaico. Assim sendo, não se esqueça que a Lei de Moisés e todos os seus absurdos foi escrita por judeus e para judeus, logo, não queira aplicar para si tudo o que ali está escrito se você não é judeu.

3 – Leia tudo pela ótica do amor. Quando o antigo testamento narra histórias de guerras do povo judeu, entenda que é apenas uma narrativa de acordo com a visão judaica do caso. Logo, isso não autoriza de maneira nenhuma as guerras porque na ótica do amor não existe guerras e nem há razão para ela existirem. Do mesmo modo, o amor não deixa que uma filha seja apedrejada na porta da casa de seus pais porque engravidou de seu namorado sabe-se lá o motivo.  Além disto, não há o porque negar uma transfusão de sangue  a uma pessoa que você diz amar apenas porque a interpretação de alguns afirma que isto é um grave pecado. Assim, todas as partes que envolvem legislações de pena capital, tortura, excomunhão, escravidão, morte, guerras e violência de qualquer tipo devem ser descartadas como supostas leis de Deus.  Se Deus reclamar que voce não apedrejou a sua filha ou não matou as crianças de Jericó, diga que ele é um folgado e mande-o catar coquinhos no universo ou que ele mesmo desça até aqui e faça essa matança ao invés de pedir aos homens para sujar as mãos.

4 – Selecione o que está mais próximo do pensamento e da açao de Jesus  e aplique-o em sua vida. Descarte todo o resto como aplicação prática.

5 – Duvide do que está escrito. Não leia pensando que o que você está lendo é 100% a Palavra de Deus. Muita coisa foi perdida ou modificada com as contínuas traduções e versões da Bíblia. E não arranje desculpas do tipo: Deus sabe preservar sua palavra intocada desde a antiguidade e ele já teria destruído o que era mentira. Se assim for, a Bíblia é tão divina quanto os Vedas, o Alcorão, o Bagavahd-Gita, o Ramayana, os Tri-Pitakas…

6 – Não obedeça a nada achando que se não fizer isso irá para p inferno. A Bíblia é uma narrativa, um livro de literatura que por alguma razão divina pode conter algumas palavras de Deus, mas ela não é um conjunto de leis, ordens e mandamentos que devem ser obedecidos sem questionamentos. Se quiser aplicar algum princípio, faça pelo amor e apenas com a consciência do que está fazendo.

7 – Interprete livremente, de preferencia sem os comentaristas e doutores em teologia. Aceite sim, debates e opiniões contrárias e busque sempre melhorias em suas interpretações. Revise sempre, pois amanha você pode estar com outra visão sobre o mesmo assunto. Mas lembre-se: sua vida com Deus é sua e de mais ninguém.

8 – Busque conhecimento – sábias palavras do grande ET Bilu.

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Renatim

 

DEUS NÃO TEM POVO

Uma das maiores pretensões do homem é achar que faz parte do “povo de Deus”. A ideia nefasta de que Deus tem um povo é tão absurda quanto antidivina. No entanto, desde os tempos imemoriais, as civilizações e os impérios tem explorado isto de diversas maneiras, seja para fortalecer o nacionalismo, se impor como seres superiores ou simplesmente para dar credibilidade à suas crenças ante o pluralismo religioso.
Ao afirmar-se como integrante de um suposto povo de Deus, o homem abre brecha para uma série de ações que variam de acordo com a sua concepção do que seja Deus. Curiosamente, a afirmação pretensiosa de povo de Deus não ocorria nas religiões e povos ditos pagãos, senão que o fenômeno aparenta ser forte característica do monoteísmo. Assim, os judeus acreditavam que eles eram a nação exclusiva do deus Yahweh, seu deus nacional e que refletia as particularidades e anseios dos semitas. Semelhantemente os muçulmanos se afirmam como povo do deus Allah, que nada mais é do que o deus judaico com traços árabes. Em meio a isso,  os cristãos institucionalizados de todas os times entram na batalha cujo premio é o status de raça eleita, povo escolhido de Deus, nação santa ou qualquer outro título não menos pretensioso.
Mas o status de ser povo de Deus gera um interessante efeito colateral. O povo de Deus torna-se o Deus do povo, pois o povo pensa que se apropriou de Deus de tal forma que fecharam todas as fronteiras e nacionalizaram o ser divino. Cresce então o orgulho e a luxúria, que abre várias portas para a violência, guerra e intolerância em nome de quem nada tem a ver com isso.
Como já disse em outro post, já se matou, estuprou, violentou e torturou gente demais em nome de Deus.
Portanto, para o bem da humanidade, proclamo: Deus não tem povo.

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Renatim