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A HIPOCRISIA DOS DIREITOS


Está rolando no Facebook diversos textos de alguns blogs e sites boicotando o recém aprovado Estatuto do Nascituro. Nada mais justo, todos tem a liberdade de opinar. Dito isso, vou fazer algumas considerações sobre o tema, mas antes quero pontuar algumas coisas que as mesmas pessoas que opinaram contra o estatuto costumam defender como Direitos, para demonstrar até onde chegamos em nossa inversão de valores:
•Direito dos Gays – Ok, nada mais justo propiciar união civil entre eles, se assim eles querem. •Direito das Mulheres de denunciar violência doméstica – Perfeito, tem que botar esses homens idiotas na cana mesmo.
•Direito dos Criminosos – Ok.
•Direito dos Animais em Extinção – Qualquer pessoa em sã consciência defenderiam o direito dos animais em extinção.
•Direito das Plantas em Extinção – ótimo, no entanto precisa-se de algumas melhorias em projetos do tipo.
•Direito de fumar maconha e usar outras drogas por aí – Forçando muito  a barra, pode até ser aceitável em certos níveis.
•Direito dos Marcianos – Lindo.
Mas quando a questão é sobre o direito humano do nascituro, fazem um alarde enorme. “Mimimii que o estatuto fere o direito reprodutivo e sexual das mulheres”, “mmimi que ele trata as mulheres como vaso de planta”, “mimimi isso é bolsa estupro”. Nunca ouvi tamanha besteira.
O que são os tais “direitos reprodutivos e sexuais” das mulheres? O direito dela ir numa festa , tomar tequila até cair de bêbada e depois transar com um desconhecido qualquer, e quando descobre que está grávida, vir com o desespero e querer tirar o bebê, por conta de sua própria irresponsabilidade? Quer transar, transe! Use camisinha, não é isso que tanto propagandeiam por aí? Mas a mentalidade moderna ficou tão fissurada em sexo que ficam inventando direitos sexuais, esquecendo que o sexo tem que ser um ato responsável.
“Ah, mas as mulheres pobres não tem acesso ao aborto enquanto as ricas tem”, dizem eles. Ora, as ricas que o fazem, fazem clandestinamente ou fora do país. Estão furando a lei. Mas num mundo onde algumas meninas não tem qualquer bom senso musical e ficam ouvindo “vai novinha, vem pro colinho do papai”, e coisas do tipo, vivem em bailes funk e derivados  e vivem transando sem camisinha, querem que aconteça o que? O bebê é apenas consequência natural de sua irresponsabilidade.  “Ah, falta de informação”, o car@$&*! O governo gasta milhões todo ano para levar prevenção nas escolas, distribuindo camisinhas de graça, tem outdoors  e panfletos espalhados pra todo lado, informação o bastante na internet e ainda querem vir com desculpa de falta de informação? É muita falta do que fazer.
Tudo tem limite. Menos para a burrice humana. Mas as consequências estarão aí, mais cedo ou mais tarde.
Não vou abordar questões sobre aborto por estupro porque são outros quinhentos, envolvem situações muito mais complexas de ética e moral, e não fazem parte do escopo desta crítica. Mas é interessante notar que um dos textos que li por aí afirma que a mulher não aborta por abortar, que não é fácil pra ela fazer isso e que elas apenas tomam esta atitude após refletirem bastante… Quanta balela! Onde uma menina que acaba de ver a besteira que fez no baile funk na noite anterior vai refletir alguma coisa? Ela vai agir conforme o desespero, e só depois que o aborto for consumado é que ela vai sentar pra refletir sobre algo. E dizer que a mulher é dona do seu próprio corpo e por isso tem direito de abortar sem mais nem menos é uma falácia enorme, já que:  1- o pai da criança, se conhecido, também deveria participar desse processo de decisão, já que o filho é dele também;  2 – em todo caso, o bebê é um outro corpo, não faz parte do corpo dela.  E numa sociedade onde há uma miríade de direitos humanos, onde está o direito do nascituro?
E com tanta gente querendo adotar, porque não entrega essa criança pra adoção se for o caso de recursos financeiros ou de estupro?
Quanto a chamarem o Estatuto de Bolsa Estupro, por decretar que o Estado deve pagar uma pensão para a mãe de uma criança concebida após um estupro, essas mesmas pessoas não gostam quando chamam o Bolsa Família de Bolsa Esmola, o Auxílio Reclusão de Bolsa Bandido, o programa de tratamento de usuários de drogas de SP de Bolsa Crack… Mas claro, apenas porque o Estatuto foi proposto e aprovado pela bancada religiosa é que agora vão colocar apelidos nos projetos.
Enfim, estamos vivendo uma época de tamanha hipocrisia, contradições e inversão de valores, que  uma tartaruga é mais valiosa que a vida humana.
Meu recado pra você é simples: não seja idiota! Não fique compartilhando textos no facebook (inclusive este aqui) sem pensar, apenas porque foi a ATEA, o Sakamoto, o Feliciano, o Papa, o Renato, o Capeta ou o Supremo Comandante das Forças Marcianas da Via Láctea disse. Estude, leia, pense, reflita, duvide. Veja o conhecimento adquirido pela humanidade em milhares de anos, que muitos desses blogueiros simplesmente ignoram.
Leia Sócrates, Platão, Aristóteles, Buda, Jesus, São Paulo, Santo Agostinho, Tomás de Aquino, Maomé, Voltaire, Rousseau, Maquiavel, Gandhi, Leon Tolstoi, Karl Marx, Sigmond Freud, Carl Jung, Arthur Schopenhauer, Joseph Campbell, Nietzche, Adam Smith, Leo Huberman, Naomi Klein, Carl Sagan, Tolkien…
Meu desabafo está aí. Podem chamar a Inquisição agora.
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Categorias:Meus Artigos, Reflexões
  1. 09/10/2014 às 20:38

    É até divertido ler esse artigo hahaha
    Agora que expôs sua opinião lhe pergunto quanto ao fato do estado ser laico e sermos uma democracia,e portanto sermos livres, se não é uma boa de uma contradição o mesmo querer se meter na decisão que só cabe unicamente a mãe da criança?! Ou você prefere que nasça uma criança indesejada ,porém inocente, para ficar desamparada neste e mundo e podendo acabar no mundo crime ??! Enfim lhe proponho uma reflexão e mais ainda de lhe alertar as suas generalizações quanto as funkeiras já gravidez indesejada não faz parte apenas desse mundo, mas de qualquer classe ou cultura e como crítica deixo aqui que esse seu argumento além de chato e cansativo é no mínimo uma falta de respeito e um pensamento preconceituoso de sua parte !

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