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REPENSANDO O VALOR DA PÁSCOA


A Soteriologia tradicional nos afirma que Jesus morreu na cruz para salvar a humanidade do inferno, e por isto, sua morte tem um significado sagrado e deve ser reverenciada. Em outras visões menos macabras, a morte de Cristo é apenas um anuncio para oque se segue, a ressurreição. Para os primeiros, devemos sempre lembrar da morte cruel e sanguinária pela qual sofreu o Filho de Deus na cruz do Calvário, afinal, ele sofreu aquilo tudo para que você não precisasse passar pelo mesmo caminho. Já para o segundo grupo, devemos lembrar é da ressurreição, porque como afirma Paulo, sem ressurreição a fé cristã vai pro espaço.

Quero pois levantar alguns questionamentos. Se o mais importante soteriologicamente é a morte de Jesus, então não precisava deste espetáculo sangrento que ele foi submetido. Bastava que ele nascesse e logo depois morresse. Estaria satisfeita a condição salvífica (a de que para salvar a humanidade, o Filho de Deus deveria morrer em lugar desta). Entretanto, isto seria no mínimo um fatalismo extremo e se formos levar a questão ainda mais fundo, entraremos num paradoxo: se Deus é Todo-Poderoso, porque então Ele iria se limitar a um conceito de morte sacrificial? Quem foi, afinal, que teve a coragem de impor a um Deus a condição de que Ele deveria morrer por nós humanos para que pudesse livrar suas próprias criaturas de um inferno que Ele mesmo criou?  Certamente um enorme contrassenso.

Se focalizarmos na questão da ressurreição e aceitarmos a definição de Paulo, estaremos de novo, limitando a Deus e o nosso pensamento. Temos sim, a esperança de que isso tenha acontecido e que isso possa acontecer conosco, no entanto, dizer que sem ressurreição toda a fé se torna inválida é jogar fora toda a experiência de vida terrena e simplesmente ficar esperando a morte chegar para que possamos ressurgir (isto é, se estivermos no seleto grupo de ressurretos, mas claro, nosso egocentrismo sempre nos coloca nos melhores lugares).

Como se vê, ambas as definições jogam por terra todo o resto da vida de Jesus. suas palavras e seus atos. Jogam fora todo o projeto do Reino de Deus que se manifesta dentro de cada um, a partir do despertar da consciência do amor ao próximo. Colocam nas nossas mentes que é mais fácil dizer que aceita a Jesus e celebrar sua morte (celebrar a morte de alguém? Muito amoroso né?) ou a ressurreição do que imitá-lo no caminho do amor. É mais fácil lembrar toda a Páscoa que Jesus morreu e pagou por nossos pecados do que tentar não cometer tais “pecados” por pura consciência de que aquele ato pode fazer mal ao próximo…

Enfim, é mais fácil lembrar do que amar.

Para mim, a Páscoa pode ser entendida como a passagem na Terra de um Deus que, cansado da idiotice de seres humanos que matam, roubam, violam e torturam o próximo em nome dele, acaba por se tornar como um de nós para que humano nenhum tenha desculpa para dizer que seguir o caminho do amor é impossível.

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  1. pedro
    12/04/2012 às 10:22

    Otima reflexão da pascoa!

    Só gostaría contribuir com a seguinte questão: Quem matou Jesus, finalmente? Os judeos, não foram, pois eles não sabiam o que faziam, o propio Jesus fala isso. Foi Deus? Eu acho que ele tería preferido que seu povo o aceitara como o mesias que era. Foi o povo? Tambem não pois eles estavam manipulados o enganados por suas lideranzas. Então quem foi?

    Uma resposta que se repete vez tras vez em todo o cumprimento da historia humana, (pois o padrão ou esquema parece se repetir). Nos descobri que os que mataram Jesus foram os donos do sistema economico-politico que imperaba nesse tempo. Melhor dizendo o nauseabundo, asqueroso e mafioso Imperio romano. Foram eles que construiram o andame para acabar com Jesus e a ideologia que pregaba.

    Logo depois esse mesmo imperio robou as ideas de Jesus, o acomodaram a seus intereses, as distorseram totalmente e a espaliaram para todo mundo.

    Infelizmente nossa cultura atual, de hoje mesmo, tambem esta infectada de essa praga.

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