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O AMOR É SUPERIOR A TODOS OS DEUSES


Num certo tempo da história humana, alguém teve a brilhante ideia de institucionalizar sua visão acerca da divindade, dando início oficial à religião. Era uma ideia genial: prevalecendo seu deus, prevalece seu domínio sobre todos os que aderiram à sua visão (voluntariamente ou à força). Ele poderia fazer de tudo, desde se autodeclarar filho do tal deus até ordenar enormes matanças em nome deste, passando por ter poder sobre todos os aspectos da vida de cada elemento de sua sociedade. E assim prevalece até hoje. Quer matar alguém? Invente um motivo divino, uma ordem por exemplo ou a obediência a uma dita lei feita a 10 mil anos atrás. Quer fazer guerras? Invente um lado do bem (o seu e o do seu deus) e um lado do mau. Quer estuprar ou ter tantas mulheres quanto desejar? Invente uma divindade do sexo (havia milhões dessas na Antiguidade). Quer torturar? Invente alguma coisa que você possa considerar blasfêmia contra seu deus. Quer ficar rico da noite pro dia? Invente algum benção que seu deus possa oferecer e coloque à venda a título de “dízimo”, “oferta” ou “donativo” (não possui impostos ou mesmo fiscalização, então não se preocupe. O que você arrecadar é o que você vai ter). Quer impor sua ideologia sobre todos os fiéis? Invente um cargo supremo (aiatolá, papa, apóstolo, tataravô-de-santo, rei, vice-deus… a imaginação é o limite!) e diga que seu deus lhe revelou que você tem a missão de consertar a sociedade e salvá-la do mal.

Assim foi a humanidade por aproximadamente 4 mil anos. Rezando e pagando, como dizia Proudhon. Não havia nenhum questionamento da parte de um pai babilônico por exemplo, se um sacerdote lhe dissesse que sua filha deveria se prostituir para trazer as bençãos de Astarote para sua casa. Era uma ordem divina. Da mesma sorte, não havia questionamento quando se oferecia os bebês para serem assados vivos nas mãos em brasa de uma estátua de Moloque. Curiosamente, nem mesmo os israelitas escaparam deste vício religioso. Se os líderes dizem que Deus ordena o massacre total de um povo (incluindo crianças principalmente), lá eles estavam, espada em punho e com sangue infantil nas mãos. Não sobrou ninguém. Castigo divino, é o que dizem. Foi merecido. Logo mais tarde, as Cruzadas repetiriam o mesmo feito em nome do seu deus e da sua justiça. E como recompensa,  dinheiro, escravos e concubinas!

Os livros sagrados estão repletos de regulamentos e punicões severas pois fazem parte de um sistema de dominacão e poder que abusa das palavras contidas neles, sempre em prol do sacerdote ou do dominador. Na Suíça Calvinista, o poderoso João Calvino nada fez que impedisse que um médico e adversário teológico fosse queimado na fogueira por discordância da sua visão de Deus. Na Europa medieval, quem se metesse contra a Igreja Católica era igualmente queimado. Na Alemanha luterana, um grupo de camponeses aproveitava as chamas da Reforma  Protestante para reivindicarem também reformas sociais. O que receberam? Lutero, com base na Bíblia mandou literalmente massacrar a todos, porque segundo ele, o rei e a nobreza eram “autoridades ordenadas por Deus” e como supostamente disse Paulo, todos aqueles que se rebelam contra as autoridades divinamente instituídas estão sujeitos à espada. Coisa semelhante ocorre no Islamismo Xiita, aqueles que vivem sob a Sharia, como o Irã. Para alguns xiitas, a simples mudança de religião é passível de condenacão à morte, em nome de Alá.

Em dada época da história, surge um homem de nome Jesus. Simples e humilde, radical e revolucionário, ensinava que a felicidade e a harmonia total entre os seres humanos só é possível mediante a entrega  total um ao outro, a busca pela felicidade e o bem-estar do outro, de modo que todos se beneficiariam em igual medida. Fazendo isto, no mundo não haveria guerras, fome, sede, violência. A esta força motriz ele denominava de Amor. E para ele, Deus é amor.

Porém, em sua natureza o verdadeiro amor não é imposto, mas demonstrado. Os homens, mesmo que pela mais bem intencionada das religiões, queriam impor sua visão de Deus (e portanto sua visão deturpada do amor). Queriam que seu deus prevalecesse. Chegaram até Jesus quando este estava lá sentado na areia escrevendo alguma coisa, e trouxeram-no uma mulher que disseram ter sido pega em adultério. Disseram que segundo a Lei de Moisés (e portanto, a suposta Lei de Deus) ordenava que esta mulher fosse apedrejada até a morte. No entanto, nenhum deles desejariam ser apedrejados, como diz a Regra de Ouro do Cristianismo (“faça aos outros aquilo que você gostaria que fizessem com você”). Também não respeitavam a própria Lei, já que não há relatos de que o homem com quem esta mulher foi supostamente pega tenha sido condenado pela mesma falta. Sabendo disso, o rabi de Nazaré simplesmente lhes disse que aquele que não foi condenado por sua própria consciência, isto é, que não tivessem pecado, que fosse o primeiro a atirar uma pedra. Os fariseus, chocados consigo mesmos, deixaram as pedras caírem no chão e saíram, um a um. O amor tinha vencido a Lei. Em suma, o que Jesus queria dizer era algo como “Não importa o que o seu deus disse ou o que a sua concepção de Deus diz, o amor não permite que esta mulher morra, pelo fato de que nenhum de vocês gostariam de morrer da mesma forma!”.

Esta história tão conhecida nos remete à conclusão de que o amor está acima dos deuses. Para Jesus não importa o nome que você dá a qualquer deus, todos eles são falsos e pura invencão do ego humano. Para Jesus, Deus é manifestado na forca vital do amor, posto que ele é o amor. Para Jesus Deus é um Deus da vida, não da morte.

Além disso, já se matou gente demais em nome de Deus.

Para Jesus portanto, Deus está acima de todos os outros deuses, porque o amor é superior a todos os deuses.

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Categorias:Meus Artigos, Reflexões
  1. Mirian
    07/12/2011 às 19:52

    uai, procure uma que esteja na ala da minoria!

  2. Vania
    08/12/2011 às 20:26

    Aberto a todas as formas – Ibn´Arabî

    Meu coração está aberto a todas as formas:
    é uma pastagem para as gazelas,
    e um claustro para os monges cristãos,
    um templo para os ídolos,
    A Caaba do peregrino,
    As Tábuas da Torá,
    e o livro do Corão.
    Professo a religião do amor,
    em qualquer direção que avencem Seus camelos;
    a religião do Amor
    será minha religião e minha fé.

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