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TODOS PELA BURROFOBIA!


Por Renato A. O. de Andrade

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Desde algumas semanas atrás está havendo uma polêmica em torno de um dito livro didático de Língua Portuguesa distribuído pelo MEC, apoiando o uso da linguagem popular em oposição à utilização da norma culta do idioma. O livro (que segundo o ministério foi devidamente aprovado por universidades federais) chamou a atenção de professores, acadêmicos e até mesmo funcionários do governo, que trataram de transferir a discussão para as esferas públicas pelas mídias de massa.

De fato, a polêmica por trás do livro está no apoio que este oferece aos jargões populares em detrimento da ortografia da língua portuguesa. Neste sentido, de acordo com o livro está correto os estudantes falarem “os livro”, “nós pega”, “os mano” e tantas outras pérolas que já estamos acostumados a rir (e a chorar) ao vê-las nas avaliações do ENEM e dos vestibulares. Entretanto, o livro deixa um aviso: se você usar este modo de falar, estará correndo o risco de sofrer “preconceito linguístico”. Assim, aquele que faz uma correção ao modo de falar ou escrever de um estudante com um livro destes estará sendo preconceituoso. Possivelmente nos próximos meses inventarão uma palavra para definir o novo “preconceito linguístico”, mas enquanto a coisa não vem oficialmente, tomarei emprestadas as novas formas de se criar neologismos e a chamarei carinhosamente de “burrofobia”.

Partindo da retórica utilizada por movimentos semelhantes, tentemos vislumbrar o brilhante futuro da nação brasileira. Se os fatos correrem do jeito que estão, brevemente teremos uma modificação no PLC-122 (que trata de crimes de preconceito) para incluir a burrofobia. Em breve teremos manifestações públicas com os dizeres “contra a burrofobia”, “pelo direito de escrever e falar errado”, alguns alunos obterão na justiça o direito de falar e escrever do jeito que quiser etc. Haverá confrontos entre movimentos a favor e contra a burrofobia, com maior apoio da mídia e do governo aos que são contra o dito preconceito, é claro. Então como consequência final e pela pressão destes movimentos teremos enfim a suspensão das matérias da Língua Portuguesa na educação, por ser uma disciplina que “incentiva o ódio, a discriminação, o preconceito e a violência contra pessoas que utilizam a norma popular”.

Temo que o quadro pintado acima seja bem possível de ocorrer. Num governo onde a representante do povo exige ser chamada de “presidenta” e o ministro da educação compara os críticos do livro aos nazistas num argumento falacioso ad hominem sem nenhuma sustentação lógica, é de se esperar que os futuros burrofóbicos (jornalistas, professores e estudantes sérios, juristas e pessoas que prezam pela forma correta do idioma) sejam vistos como personas non gratas e até mesmo criminalizadas. Veremos a educação atrofiar até desaparecer completamente.

A verdade é que se o Brasil não acordar, “nós vamo pro buraco”.

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