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O QUE NOS INTERESSA DE FATO


A verdade seja dita: Jesus não veio à Terra para te salvar dos seus infames pecados.

Ao menos, não do jeito que estamos acostumados a ouvir e ensinar.

Blasfêmia? Heresia? Certamente, se você faz parte de alguma denominação cristã, principalmente os que aderem ao Calvinismo ou aos ideais da Reforma. Fomos ensinados desde que Anselmo inventou sua teologia substitutiva que Jesus veio à Terra para morrer na cruz e nos salvar de nossos pecados. Isso nos criou duas visões:

1 – Que Jesus por suportar as dores da cruz, levou sobre aquele madeiro os nossos pecados.

2 – A crença de que, pela morte de Jesus, somos salvos do inferno.

Acerca da primeira crença, o fato é que acabou gerando uma constante idolatria à cruz. A cruz… a sagrada cruz. Virou o símbolo universal do Cristianismo. Constantino havia feito um excelente trabalho, levando um instrumento de tortura ao patamar de objeto sacramental. Mas poucos admitem que a cruz é uma realidade constante nos mitos antigos.

Porém, Constantino fez um outro trabalho formidável para avançar sua religião imperial. Transformou a cruz de Cristo em um talismã. Com frequência dizemos que nossos pecados foram pregados na cruz, que por isso a cruz era bastante pesada para Jesus. Era como se no  instante em que Jesus estivesse carregando a cruz rumo ao Calvário, todos os pecados, de todas as épocas e de toda a humanidade, fossem convergidos diretamente até a cruz. Algo semelhante à Genki-Dama Universal de Son Goku no desenho animado Dragon Ball…

Daí em diante, as pessoas iriam todos os domingos se ajoelhar diante de um instrumento de morte…

Essa crença na cruz como objeto catalisador dos pecados humanos fechou as pessoas para quaisquer argumentações a respeito do que teria ocorrido se Jesus tivesse sido morto de outra forma. É sabido que os romanos executavam seus criminosos em cruzes, e apenas por isso a historia da cruz pode ser validada. A cruz em si, não tem mérito algum, porque poderia muito bem ser uma forca, uma cadeira elétrica, um empalhamento, um garrote-vll, uma guilhotina ou qualquer outro instrumento de morte que a humanidade inventar.

Da idolatria à cruz, deriva a crença da morte substitutiva de Jesus. Dizemos que “Jesus morreu na cruz por você!” (para fins publicitários, a cruz não pode faltar).  Reduzimos a missão de Jesus a simplesmente morrer na cruz, e ignoramos toda a sua vida. Ou então só lembramos da vida de Jesus quando temos que dar alguma lição de moral para alguém ou para mostrar que Ele faz milagres.

Nossa concepção da morte de Cristo é tal, que por vezes até mesmo comemoramos a morte do homem mais singular que houve na face da Terra. Os católicos, os protestantes, até mesmo os Testemunhas de Jeová (que tem uma idolatria à morte de Jesus mais acentuada que as outras denominações), todos comemoram a morte de Jesus na Santa Ceia. Alguns fazem festa, outros agem como se fosse um funeral.

O lema “Jesus morreu por você” talvez seja o slogan de maior sucesso na história da humanidade. Chamamos as pessoas a irem a igreja e se converterem à facção porque Jesus havia sofrido na cruz e sido morto por  causa dela, por causa dos erros e pecados que ela cometeu. Usamos portanto, uma singular pressão psicológica. Afirmamos que a pessoa é pecadora, que não merece nada, que nada pode fazer para assegurar sua salvação porque está em estado de depravação total.  Depois afirmamos que Jesus só veio aqui na Terra porque ela cometeu pecado e por isso ele sofreu, foi torturado, chicoteado, espancado… (coloque aqui alguma violência bem cinematográfica) e que ela necessita desesperadamente de Jesus. Isto causa um efeito enorme de culpa e desejo de se afiliar à facção religiosa.

Estou dizendo que a morte de Jesus foi em vão? De forma nenhuma! O que estou querendo fazer é chamar o leitor a pensar da seguinte forma: Se Jesus veio para morrer por nós, bastava ele ter nascido e no mesmo instante falecido. Ia dar no mesmo, já que a condição é que ele tenha vindo a Terra para morrer por nossos pecados.

No entanto, Ele viveu e cabe a nós imitá-lo. E é isso que de fato, nos interessa.

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  1. Wz
    13/01/2011 às 10:18

    Tu foi mto corajoso de falar “facção religiosa” e tbm de detonar a cruz hein ahauahuah
    Acredito q o primeiro pensamento de mtas pessoas é de que vc esta falando asneiras :D

    Tema polêmico ^^ Pq sempre as pessoas querem que lembremos de Jesus na Cruz hein? ou ntão no ” madeiro” pra não ofender os TJ :D Tvlz seja uma estratégia para que esqueçamos o que ele fez por aqui e tentemos imitá-lo… Afinal a luz nos revela mtas coisas obscuras não é mesmo? kkkkk

  2. Vinícius Surkamp
    12/11/2013 às 11:50

    Ótimo texto. Faltou você mencionar a idolatria ao sangue de Jesus, outro conceito que eu pessoalmente considero irracional. Cabe lembrar que essas doutrinas se assemelham um tanto ao paganismo que alguns cristãos tanto criticam. Também deixei de acreditar nelas justamente por causa do verdadeiro massacre psicológico que as acompanha. já vi dizerem que Deus quer que você se sinta um lixo, tenha baixa autoestima entre outras aberrações.

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