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A MÁSCARA DA DEMOCRACIA


Por Renato A. O. de Andrade

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A linguagem política  é planejada para fazer com que mentiras
pareçam verdades, assasinatos pareçam dignos e para dar uma
aparência de solidez ao puro vento

George Orwell

Os recentes casos de fuga de informação diplomática secreta do governo dos Estados Unidos e sua respectiva recepção serviu-nos para pelo menos uma coisa: enxergar o quão cheia de hipocrisia é a assim chamada “democracia” nos EUA. Para um país que se gaba de lutar pelos direitos e pela liberdade (indo até a guerra, se for preciso), tais fatos se tornam no mínimo, uma afronta ao que os filósofos gregos entendiam pelo termo democracia.

Logo após a publicação pelo site Wikileaks de mais de 250.000 documentos diplomáticos que desnudam a visão dos yankes acerca de diversos países e líderes mundiais, o governo lançou uma violenta campanha de repressão e perseguição ao site e ao seu fundador, Julian Assange. Diversos blogueiros pediram o assasinato do fundador, além de pedidos de rapto de seu filho. Sarah Pallin chegou a dizer que “Assange deve ser caçado como Bin Laden”, o senado americano quer colocar o Wikileaks na lista de organizações terroristas, etc. A grande mídia tem dado substancial cobertura dos fatos. Para uns, Assange é um herói, para outros um terrorista. As táticas do governo americano incluíram coerção para que as empresas Paypal, Amazon, MasterCard, Visa e o banco PostFinnance bloqueassem as contas bancárias de suporte financeiro ao Wikileaks e o seu servidor de acesso. No entanto, quanto mais o governo late, mais o Wikileaks e seu fundador conseguem prestígio e apoio popular, a tal ponto de haver um movimento de hackers declarando guerra ao estabilishment. A primeira cyberguerra mundial estava começando…

No entanto, o que podemos enxergar com isso tudo é um fato ao mesmo tempo bom e assustador: o sistema escravocrata norte-americano está acabando. A águia está em seus últimos dias… Então vem a grande revelação: a máscara do sistema caiu e todos do mundo podem ver quem ele de fato é.

Durante muito tempo, os EUA se diziam o país mais democrático, mais liberal, mais honesto, mais cristão, mais seguidor das leis. E conseguia iludir a maioria de que ele era realmente assim. Tanto que os belos discursos de liberdade, verdade, transparência eram promovidos por todos os presidentes deste país. Criticava-se a China por não ter liberdade de imprensa e de acesso à informação, criticava-se a Coréia do Norte e seu regime fechado, Cuba por seu atraso, Venezuela por sua postura “antidemocrática” e então vinham os grandes discursos. Eram, enfim, o pastor desse mundo.

Tudo isso foi por água abaixo. Era tudo uma farsa, uma grande farsa. Talvez a maior farsa da história seja o governo americano e seus comparsas. A farsa da democracia.

A máscara democrática caiu… Revela-se então o monstro apocalíptico, aquele mesmo que fala como cordeiro e age como um dragão.

Quando a máscara cai, é hora de deixar de ser o inocente cordeirinho e assumir sua verdadeira face. E agora, graças à Internet, isso está ocorrendo em nível mundial… Todos estão sabendo quem é o governo dos EUA. No entanto, o dragão ainda ruge em seus últimos dias.

Foi lancada uma enorme campanha de desinformacão, taxando Julian Assange de terrorista digital. O governo dos EUA apelou à retórica do terrorismo e da “seguranca nacional”, dizendo que os vazamentos colocam milhares de vidas em perigo, que irá frustrar os esforços “humanitários” do Exército Americano no Afeganistão e no Iraque, etc. Um dos documentos vazados apontam os lugares considerados vitais para os interesses dos EUA em todo o mundo, lugares como minas de carvão, plataformas de petróleo, usinas de gás, indústrias farmacêuticas etc. Daí a mídia manipulada (incluindo o nosos tão querido, acreditado e amado Jornal Nacional) diz que Assange entregou documentos vitais aos “terroristas” e que por isso estará colocando vidas em perigo. Entretanto é uma acusação falha, porque os lugares citados não são nenhum centro urbano ou de concentracão de grandes massas de população, mas sim empresas isoladas. Ou seja, a mentira está em dizer que esses lugares são vitais para a “seguranca nacional” (diga-se., enriquecimento nacional) enquanto a verdade é outra: estão querendo simplesmente proteger os locais essenciais para o domínio do mercado pelos norte-americanos. Aliás, desconfio do uso dessa palavra “proteger” porque não há de fato, nenhum terrorista para atacar. Terrorismo é um termo usado pela elite global para as pessoas que lutam contra a exploração capitalista e ameacem o domínio do sistema. Se fossemos usar a palavra como os EUA fazem, incluiríamos na lista de terroristas personalidades como Jesus, Mozi, Sócrates, Gandhi, Leon Tolstoi, Thomas Paine, Henry David Thoreau, Marthin Luther King… todos aqueles que não se conformaram com o sistema estabelecido e se empenharam em mudar a história do mundo. Os verdadeiros terroristas não são os muçulmanos, os hackers, os comunistas, os socialistas, os anarquistas, os traficantes do Morro. Os verdadeiros terroristas estão no Congresso, nas cadeiras (diga-se tronos) presidenciais, nos altos escalões das igrejas, das grandes empresas, da grande mídia. Estes são mais perigosos do que quaisquer outros ditadores da Roma Antiga, porque os últimos pelo menos não se escondiam em máscaras de liberdade, direitos e toda essa conversa fiada.

Depois de declarar guerra ao Wikileaks, o sistema usou de seus artifícios para impedir o acesso da população ao site. Diversas vezes tentaram derrubar o site, congelaram fundos financeiros e ameaçaram os estudantes dos EUA para não acessarem os documentos vazados. Tudo isso em nome da liberdade e da democracia.

É estranho! Bloqueiam doações ao Wikileaks por revelar a verdade que todos precisam saber, mas não bloqueiam doações para o Ku Klux Klan (que tem até um site oficial) e nem o colocam na lista de terroristas. Defendem a liberdade e no entanto pessoas como Liu Xiaobo (grande pensador preso na China por falar contra o Partido Comunista e agir em prol da liberdade de pensamento), Bradley Manning (soldado que é acusado de vazar muitas das informações para o Wikileaks) e Julian Assange são trancafiadas pelo duvidoso crime de falar a verdade. Alegam a liberdade de expressão como um direito fundamental, entretanto a negam aos subversivos e tentam de todos os modos tomar o controle da Internet com o poder jurídico, afim de implantar um sistema de censura semelhante ao que temos na China e Coréia do Norte. Defendem a paz, no entanto são os maiores produtores de guerras, armamentos, ditaduras, execuções, torturas e violações dos direitos humanos. E ainda se dizem democráticos, quando o que se tem para eleger por lá é somente dois bonecos: o da direita e o da esquerda. Você escolhe.

Mas de fato, não há democracia. Aliás, nunca houve democracia no mundo.

Tudo o que há é guerra, escravidão e manipulação. Em nome de Deus, em nome do poder estabelecido, em nome da pátria, em nome da economia, em nome da segurança nacional, enfim, sempre se tem uma desculpa para dar máscaras a um conceito que só existe nas mentes.

Estamos agora num momento especial da história humana. Ou lutamos pela verdadeira democracia, liberdade e transparência ou sucumbiremos de uma vez por todas ao inferno.

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Categorias:Meus Artigos, Reflexões
  1. Peter
    09/12/2010 às 6:25

    Wikileaks é como essas pedras que de tempo em tempo se erguem para dar gloria a Deus, isto é honrar, fazer respeitar a esse Deus que merece respeito, pois a verdade e transparência são parte dessa essência divina, pelo menos isso mostrou Jesus o Cristo. E se há tanto crente por ai, falando que é crente e não faz nada pelo respeito a Deus, é só mentira.
    Renato: Obrigado por lembrar-nos a trilha do Caminho!

  2. -----
    05/02/2011 às 17:47

    O regime tiranico dos estadunidenses, os quais se julgam os defensores e campeões de “Democracia”; nada mais são do que uma Ditadura da burguesia, que enganam o povo com dois partidos que defendem os interesses de uma minoria privilegiada; e que se alternam a decadas iludindo o povo. Pois, os imperialistas estadunidenses se julgam os donos do poder e da situação, os eruditos altivos, superiores e melhores que todo o gênero humano e, com seu sistema de governo fundado no poder de dominação infrene – e com postura provocativa; instalam bases militares em todas as regiões do mundo, para preponderar; ou demonstrar força para intimidar e ameaçar o mundo livre, com exercícios militares constantes e em grande escala.
    Os ditadores imperialistas tentam de todas as formas iludir a natureza humana ao colocarem a verdade pelo avesso, quando apresentam-se como os paladinos da “Liberdade” e “Democracia”; inclusive fazem uso desses princípios com cavilação obstinada de que são os únicos, reais “representantes” e “defensores” desses ideais.
    Os imperialistas dos EUA, com sua política de expansão, influência ou mesmo dominação territorial e econômica do mundo; usam com desfaçatez, ardileza e estratégia de dominação, as duas belas palavras mágicas que são consideradas chave, ou seja, “Liberdade” e “Democracia”, que usadas com sutileza, são apenas sofismas para encobrir seus reais propósitos de possessão do mundo livre.
    A “Democracia” é para o império estadunidense; quando os EUA mandam, ditam as regras, subjugam e submetem os povos a condição e posição de escravidão, passividade, dependência, obediência, sujeição, subserviência e controle – mas, quando os povos se exsurgem e tentam colocarem-se contra a ingerência, ganância, dominação, tirania, vontade ou interesses dos EUA; então, isso será considerado ditadura para o império estadunidense”.
    E, assim, quando os povos deixam de rezar na cartilha do imperialismo dos Estados Unidos da América, são perseguidos e suas eleições livres e justas são consideradas pelo império de irregulares ou fraudadas; pois os imperialistas estadunidenses aceitam apenas eleições de regimes passivos, inócuos, inermes, fantoches, subservientes, favoráveis e sequazes do Império. Ademais, o governo eleito por esses povos livres, que não aceitam se sujeitarem aos caprichos da tirania dos Estados Unidos da América do Norte; são rotulados ou assacados de totalitário, tirânico, ditadura e seus inimigos.
    E, assim quando os povos confutam aos interesses dos EUA; então, de pronto, vem por parte do império estadunidense, tratamento cruento, hostil e injusto, infligido com encarniçamento as nações livres – desaparecendo desse modo, as tão propaladas e exaustivamente apregoadas palavras “Liberdade” e “Democracia”, que usadas de maneira hipócrita pelo império, como estratégia; quando submetem as massas populares a uma terrível lavagem cerebral, mesmerizada e condicionada, para que acreditem ou aceitem os EUA; por engano e, de modo falso; como o único, legítimo, “defensor” desses ideais.
    Os imperialistas dos EUA, que comandam genocídios por todo o mundo livre; endividam as nações livres, compram seus políticos e governos fantoches; além de apoiarem estados títeres para ficarem realizando política de desestabilização, discórdia e desentendimentos regionais, ou atos subversivos violentos e intimidadores a serviço do insidioso sistema imperial estadunidense.
    É somente cabível aos povos nativos de uma nação ou território livre, derrocarem dos poderes políticos os condutores indesejáveis que julgarem ser intendentes déspotas, demagogos, corruptos, vigaristas, oportunistas e aproveitadores; e, tudo isso, deve ser feito sem a ingerência de qualquer força imperialista.

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