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AS IGREJAS E O MORCEGO MORTO


Por Renato A. O. de Andrade

Estes dias estava na faculdade e uma das professoras nos mostrou um vídeo disponível no YouTube chamado de “Vendedor de Morcego Morto” onde de maneira inacreditável um vendedor consegue negociar um morcego morto com o cliente. Mas o propósito principal do vendedor era que o cliente adquirisse um conjunto de enciclopédias, o morcego era somente um chamariz. Enfim, o vídeo é bastante engraçado, um belo trabalho de humor.

O que me chamou a atenção no entanto são as técnicas de negociação utilizadas pelo vendedor para persuadir o cliente a comprar o morcego morto. Pensando nisso, comparei o vídeo com a situação atual das  igrejas pelo mundo afora…

Aquilo que chamamos de igreja hoje, se apresenta a nós como um vendedor de morcego morto. No vídeo, a primeira coisa que o vendedor faz é tocar a campanhia da casa e esperar que o cliente vá até ele, enquanto o cliente já está na frente dele. Atualmente não é diferente em relação às igrejas. Elas querem que a pessoa vá até lá para que possa oferecer seu morcego morto. Em resumo, uma pessoa pode até ser cristã, mas se não estiver dentro da instituição eclesiástica, então não terá a chance de adquirir o morcego morto. E o que é o morcego morto? Uma fé morta, um Jesus morto. Particularmente me chama atenção quando o vendedor mostra as “qualidades” do morcego morto. A primeira coisa é que o morcego, sendo morto, não voa. Voar tem diversos sentidos, um deles é a liberdade. Ao comprar a fé disponibilizada pelo cristianismo atual, estamos nos escravizando, porque tal fé é morta. Voar também pode significar trabalho, porque exige um gasto de energia muito grande por parte dos animais voadores. Como comparação, a fé e o Jesus vendido pelas igrejas não exigem o trabalho de mudar a própria postura, o próprio ser. Ao invés disso, basta aceitar a Jesus (comprar o morcego morto) que ele irá revolucionar a sua vida…Vemos isso espalhado pelos pregadores da Teologia da Prosperidade e suas derivadas, e até mesmo nas igrejas históricas. O Jesus morto faz tudo aquilo que o Jesus vivo não faz. Tudinho tudinho. O Jesus morto dá carros, casas, dinheiro, mulheres, te permite viver do jeito que quiser, enfim, tudo aquilo que o vivo não faz!

Outro ponto a ser considerado é quando o vendedor argumenta que um morcego morto dará segurança à família do comprador, porque não sugaria o sangue das pessoas. O mesmo princípio é aplicado pelos manipuladores do Evangelho. Dizem estes que se uma pessoa compra a fé morta e o Jesus morto deles, essa pessoa não precisará se preocupar com os desafios e as lutas de uma verdadeira vida cristã. Eles não nos mostram o verdadeiro preço de se viver com e ao lado de Cristo. Acabam tornando a fé como algo meramente egoísta e até mesmo hedonista. A pessoa vai para a igreja apenas porque quer resolver seus problemas e acha que aquele Jesus morto irá resolvê-los, como muitos dizem por aí.

Mas o vídeo continua, e o vendedor depois de conseguir convencer o cliente a adquirir o morcego, volta até ele e oferece um manual de como cuidar do morcego morto, pois argumenta que se o usuário não cuidar do morcego, ele poderá… morrer.  O cliente então cai na jigada e quer conmprar o manual, mas o vendedor lhe diz que não pode vender avulso, que tinha que comprar uma coleção de enciclopédias para obter o manual… Também assim fazem as igrejas. O morcego morto nada mais é do que um chamariz para a compra da enciclopédia, e similarmente a fé morta e o Jesus morto são chamarizes para que as pessos possam alimentar-se do império da manipulação religiosa, caso contrário sua fé poderá morrer. Ou seja, aceita-se Jesus de graça ou com um preço pequeno, mas paga-se um enorme dinheiro para a manutenção de uma fé que já está morta, através de dízimos, ofertas, ministérios, posições eclesiásticas etc, de forma semelhante ao narcotráfico.

No final,  o vendedor volta e lhe oferece um morcego vivo… Mas o fato é que com as devidas técnicas de negociação as igrejas tem oferecido um produto morto como se fosse vantajoso. Os verdadeiros seguidores de Jesus devem alertar para a falsificação que está acontecendo. A fé viva não custa dinheiro, custa amor e esperança. E o Jesus vivo não custa dinheiro, custa obediência. O amor a Jesus e ao próximo não depende de igreja ou pastor, bispo, apóstolo, vice-Deus ou seja lá o que mais eles inventarem. Depende de você decidir adotar o Evangelho como postura e modo de vida..

Não compremos mais o morcego morto.

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Categorias:Meus Artigos, Reflexões
  1. 10/08/2010 às 13:24

    Que post interessante!!
    É incrivel como comparas-te essa situação do video e contextualizaste em relação à igreja.
    Realmente temos que analisar e reflectir naquilo que temos seguido, por vezes ate inconscientemente. o pior é quando não somente nós mas outros (através de nós) são influenciados negativamente a essa falsa fé. Gostei muito do post, continua.

    “O Jesus morto faz tudo aquilo que o Jesus vivo não faz”.

    God Bless you.

  2. Re
    23/11/2010 às 5:18

    Muito bom Renatim! Por isso não me canso de vir aqui ler as tuas postagens… Sempre são edificantes!

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