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REFLITA! ESTAMOS LOUVANDO A DEUS?


Por Pr. José Videira

josevideira.blogspot.com

Pouco se tem adorado a Deus.
Apesar até das boas intenções, muito do que se tem cantado nas igrejas exaltam mais a criatura do que ao Criador. Estamos vivendo um evangelho antropocêntrico, isto é, que coloca o homem no centro das atenções e se utiliza de Deus apenas como um serviçal para atender as suas vontades e resolver seus traumas existenciais.

Canta-se hoje muita besteira nas igrejas sem o mínimo de coerência teológica.

O que vejo hoje são um monte de cantores e cantoras querendo vender CDs. Há um mercado podre que disputa a sua fatia, gravadoras querendo puxar o tapete umas das outras. Paga-se “jabá” nas rádios para que as músicas sejam artificialmente classificadas como as “preferidas” do povo.

Virou um grande comércio visando apenas lucro para o bolso desses mercadores do evangelho.

Grandes shows com estádios lotados, luzes coloridas dançantes, grupos de bailarinos exibindo as suas roupas esvoaçantes, máquinas de fumaça por todos os lados e uma grande massa humana entorpecida pelo som alto e pesado das máquinas e amplificadores de alta potência.

O show vai começar. Anuncia-se o artista, que entra com seus vestidos enfeitados com lantejoulas e cristais, cabelão, topetão tipo Elvis Presley, ou mulheres vestidas semi-nuas com roupas “tomara-que-caia” ou calças tão apertadas que pouco podem se mover.

Ao som de uma guitarra, uma introdução, começa-se uma música e o artista começa a gritar “Dá um glória a Deus”, e a massa responde no mesmo tom. O show vai crescendo e a música termina com vários “aleluias” no som estourado do microfone, cria-se umas frases de efeito já padrões, do tipo “essa é uma noite de restauração….” “Deus vai fazer …..” E cria-se todo um frenesi louco para satisfazer a vontade da massa humana.

Lá fora, camelôs vendem CDs piratas e os crentes os compram e ainda dão testemunho de que pagou barato, tributando esse “milagre” a Deus.

Acho que até aqui, não disse nenhuma novidade.

Nesses quase 40 anos que tenho vivido dentro do evangelho, muita coisa mudou para pior. E eu gostaria de dar apenas um breve histórico do que vivenciei na área de louvor.

Converti-me aos 18 anos, sendo tocado profundamente pelo Espírito Santo, numa pregação do Pr Valter Rodrigues (in memorian), na Primeira Igreja Evangélica do Cambuci, na rua Freire da Silva, 418. Isto aconteceu em abril de 1972. Como eu era contra-baixista deuma banda de rock and roll e meu irmão era também guitarrista da banda, ele acabou também se convertendo e juntos formamos um conjunto musical na igreja. Naquela época não se tocava bateria na igreja e, portanto, levamos somente a guitarra e o baixo.

Portanto, por ser músico até hoje e tendo vivenciado toda essa transformação na adoração eclesiástica, vou fazer aqui um resumo das transformações sofridas nessa área. Vou dividir em 4 fases, segundo a minha visão, para melhor facilitar a nossa compreensão.

FASE 1 – HINOS QUE ANELAVAM PELO CÉU E PELA PRESENÇA DO ESPÍRITO SANTO
Hinos da Harpa Cristã:
“Passarinhos, belas flores, querem me encantar. São vãos celestes esplendores, mas contemplo o meu Lar”.
“Sim eu amo a mensagem da cruz, te morrer eu a vou proclamar. Levarei eu também minha cruz, te por uma Coroa trocar”
“Chuvas de graças, chuvas pedimos Senhor, manda-nos chuvas constantes, chuvas do Consolador”
Corinhos:
“O nome de Jesus é doce, traz gozo paz e alegria… Subindo, subindo, para o céu eu vou. Joguei a tristeza fora e para o céu com Jesus eu vou”.
“Santo Espírito enche a minha vida, pois por Cristo eu quero brilhar, Santo Espírito enche a minha vida, usa-me as almas a salvar”. Perceba o propósito do cântico: levar o crente a pregar o evangelho.

FASE 2 – CORINHOS DE ADORAÇÃO COM HUMILHAÇÃO
“Ao orarmos Senhor, vem encher-nos com o teu amor… nossas vidas, vem pois transformar, refrigério prá alma nos dar, e agora com nossos irmãos, nos unimos aqui em oração” Conjunto “Vencedores por Cristo”

“Eu quero entrar no Santíssimo, para ver Jesus em sua plenitude, eu quero entrar no Santíssimo”

“Eu quero ser, Senhor amado, como um vaso nas mãos do oleiro. Quebra a minha vida e faça-a de novo, eu quero ser um vaso novo”

Percebe-se sempre um espírito de humildade nos cânticos. É o crente se humilhando diante de Deus.

FASE 3 – LOUVORES DE GUERRA
Nessa fase surgem cantores evocando os cânticos de guerra.

“Homem de guerra é Jeová, seu nome é temido na terra…”
“O Nosso General é Cristo, nenhum inimigo nos resistirá”
“Ouve-se o júbilo de todos os povos, os reis se dobraram ao Senhor…”
“Vem com Josué lutar em Jericó…”
Nessa época os crentes já começam a se despir das vestiduras da humildade.

FASE 4 – LOUVORES GOSPEL AMERICANOS
1985 – Inicia-se um movimento de valorização da música gospel americana pelos brasileiros. Grandes movimentos de louvorzão nas igrejas (lembram-se?). Várias igrejas faziam o tal “louvorzão”. Era uma novidade. Duas horas só de música.

Nessa época surge o programa “Extra-Extra” na Radio Imprensa Gospel, trazendo os rocks pesados do Petra e outros malucos do planeta. Nos shows gospel, guitarristas corriam pelo palco mostrando suas tatuagens nos músculos dos braços e gritando e balançando-se feitos gorilas. Um guitarrista com cabelos compridos, dá o seu show particular fazendo um solo de guitarra. O povo vai ao delírio. UUUUUU!!! WOW!!!

Nessa época começa a surgir um monte de músicas esquisitas que tratam Jesus de você. Anjos também são evocados nas canções.

FASE 5 – LOUVORES QUE COLOCAM O HOMEM NO CENTRO.
Essa é a fase atual.
Dá-se ordens a Deus, exalta-se o homem, os verdadeiros adoradores estão nas cavernas.

“Como Zaqueu eu quero subir o mais alto que eu puder só pra te ver, olhar para ti e chamar sua atenção para mim”. Veja que nessa sentença Jesus está em segundo plano. O Zaqueu é que é o tal e que diz o que o Mestre tem que fazer com ele. Na passagem bíblica original, Jesus é quem faz o convite. Mas aqui, Zaqueu se transforma no protagonista principal da história.
Essa música é cantada na umbanda, na igreja católica, pelos grupos de pagodes na TV, nos bares da esquina nas rodas da cerveja e nas igrejas evangélicas.

Aline Barros canta:
“Vou Te alegrar com o meu louvor, Eu quero Te tocar com o meu amor, Poder Te abraçar, sentir o Teu pulsar, Teu coração bater ao meu”.

Veja o antropocentrismo nesta música. O homem é quem vai alegrar a Deus com o seu louvor e abraçar e sentir o coração de Deus pulsar junto ao coração dela. Aqui Deus é uma figura depressiva, triste e que precisa do homem para sair da depressão.

A cantora Lauriete tem uma música que diz:
“Ele vai te exaltar entre os teus irmãos
Hoje Ele entrega autoridade em tuas mãos
Se te prenderam te prepares para governar
Pois a promessa é de Deus e Ele cumprirá “

A pessoa aqui se exacerba no direito de dizer o que Deus vai fazer e vincula Deus a uma situação de constrangimento de ter que cumprir tal promessa que na música não está nem definida qual é.

MÚSICA DO TOQUE NO ALTAR:
Olha pra mim,
Olha pra mim
Olha pra mim
Pois eu preciso do teu olhar

Eu farei o que for preciso
Para te ver
Pois não posso deixar que sigas
Sem me perceber

Não importa a multidão
Só eu sei do que eu preciso
E eu preciso do teu olhar

Do teu olhar, do teu olhar

Nesta música percebe-se a arrogância na frase “não posso deixar que sigas sem me perceber”. Não há humildade na letra. Há arrogância no maior nível. “Não posso deixar….”, denota complexo de superioridade . O orgulho está estampado na frase “sem me perceber”. Não vou permitir que Jesus passe por mim sem que me perceba.

FINALMENTE:
Há um grande número de compositores que nada conhecem da Bíblia. Escrevem um monte de besteiras, fazem uma música bonita, mas teologicamente errada, que cai na boca dos artistas de plantão das igrejas evangélicas.

Os pastores precisam se preocupar com a teologia cantada. Nenhum louvor deveria ser aprovado para ser cantado em uma igreja antes de responder a essas questões:
1 – O conteúdo é biblicamente correto?
2- A música exalta o homem ou a Deus?
3 – A letra acrescenta valores de pureza, honestidade, boa fama, virtude, justiça e graça em nosso caráter?
4 – A melodia é bonita? Ou é daquele tipo “quem-quer-pão” do começo até o fim ou só tem duas notas, uma que vai e outra que vem?
5 – O ritmo está adequado a uma congregação de adoradores ou está mais para uma escola de samba carnavalesca?
6 – A letra tem conteúdo engraçadinho, isto é, as pessoas dão gargalhadas? Músicas do tipo “quem é salvo e tem certeza diga amém, bata os pés, batas as mãos, dê um pulinho” deveriam ser evitadas.

Espero que essas breves linhas sirvam para a reflexão sobre o louvor. A propósito, será que não é o momento de se fazer uma limpeza nos louvores da sua igreja jogando fora aqueles que não se inserem nessas questões abordadas?
————————————————————————————-

Cometário de Renatim:

Quem tiver alguma coisa contra esse artigo, isto é, quem quiser defender seus ídolos gospel, fique à vontade para comentar!

Que situação que estamos vivendo!

E pelo amor de Deus, PRESTEM ATENÇÃO NA LETRA DO QUE ESTÁ SENDO CANTADO!

SÓ PORQUE A MÚSICA É BONITINHA E QUE LEVA AS PESSOAS À LÁGRIMAS NÃO SIGNIFICA QUE ELA LOUVA A DEUS!!!

Será mesmo que estamos vivendo um avivamento? Será que a igreja de hoje está tão boa que não tem nenhum problema? Aliás, dizer que a igreja não tem nenhum problema é enganação do diabo e nós somos mais burros do que ele para entrar nessa…

É triste…

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Categorias:Reflexões
  1. pensadorcristao
    14/10/2009 às 16:26

    Graça e Paz meu irmão. Concordo em parte com o que foi dito, porém, não quero defender qualquer “ídolo gospel”, apenas pontuar algumas questões:
    É certo que a fase dos louvores é antropocêntrica, e são pouquíssimos os que conseguimos encontrar como verdadeiros adoradores, entretanto, não podemos generalizar e tampouco analisar as letras fora de contexto.
    Embora o artigo tenha falado em humilhação, se esquece de falar neste ponto com relação a música do toque no altar. Ou não foi justamente buscando se humilhar, para que Jesus o visse que a música menciona? E mais ainda, quando fala da multidão, de não se conformar e de focar somente em Cristo.
    Uma vez mais, concordo com o que o artigo relata, mas, há que se vigiar, e analisar os louvores como um todo, dentro do seu contexto e não versos isolados, pois agindo assim, faremos como esses abomináveis pregadores de teologia da prosperidade e doutrinas heréticas, que deturpam versículos da Bíblia, utilizando-os fora de contexto para sua promoção pessoal.

    Fraternalmente,

    Vinicius Gralato jr.

    http://pensadorcristao.wordpress.com

  2. renatim
    14/10/2009 às 16:53

    Caro irmão Vinícius, graça e paz!
    É certo que a música do Toque no Altar (que altar afinal? qie ei saiba, não existe mais altar desde a ressurreição do nosso Senhor Jesus Cristo) fala em parte da “humilhação” (“Eu me humlharei, como criança eu serei…”), mas é fato que a música tem uma parte arrogante que é citada aqui. Tudo bem que o compositor pode ter sido m tanto infeliz nessa parte, mas ela está aí. E faz com que a música seja antagônica, isto é, ela mesma se contradiz. No começo o cara tá se humilhando, depois o cara tá dizendo que não deixará Jesus passar sem percebê-lo? Ele tá dando ordens para que Jesus perceba-o? E quem é esse cara que acha que pode parar Jesus assim? Se Ele (Jesus) quiser, Ele simplesmente passa na frente do cara sem contanto olhar para ele! Aí que está o problema. Eu começei a cantar essa música no começo, mas depois fui percebendo essas coisas todas…
    Esse olha pra mim todo também é um tanto estranho. E se Ele olhar pra você com olhos de condenação, você gostará desse olhar?
    No mais, o Toque no Altar é um grupo judaizante, neopentecostal e prega a Teologia da Prosperidade… logo, não é de se esperar que suas músicas tenham muita coisa boa.

    Agradeço sua visita!

    • pensadorcristao
      14/10/2009 às 17:45

      Caro irmão Renato,
      Fiquei muito feliz com sua visita em nosso blog, saiba que és sempre bem vindo.
      Quanto a canção, de fato, olhando pelo prisma que expuseste, tens razão. Me aborrece e muito, essa questão de dar ordens a Deus. É abominável.
      Novamente repito que não é minha intenção defender ídolo gospel, mas, não sei se está se referindo ao toque no altar, ou ao grupo que se formou após, o trazendo a arca.
      O trazendo a arca (nome um tanto quanto infeliz, judaizante como diz), embora tenha esse nome, é um dos ministérios de louvor que tenho em alta conta, principalmente porque suas músicas, via de regra, são fundamentadas na Palavra. Convido-o a ouvir uma música de seu último cd, chamada “perdoa”, eu a incluí em uma postagem minha no blog, caso queira ouvir, a postagem chama-se o mal do orgulho.
      No mais, me alegra muito o seu zelo para com a Obra de Deus, sua juventude e sabedoria. Espero que possamos trocar mais idéias. Deus o abençoe.

      Vinicius Gralato Jr.

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