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MEA CULPA!


Por Renato A. O. de Andrade


Ouvi a palavra do Senhor, vós, filhos de Israel; pois o Senhor tem uma contenda com os habitantes da terra; porque na terra não há verdade, nem benignidade, nem conhecimento de Deus. Só prevalecem o perjurar, o mentir, o matar, o furtar, e o adulterar; há violências e homicídios sobre homicídios.

Por isso a terra se lamenta, e todo o que nela mora desfalece, juntamente com os animais do campo e com as aves do céu; e até os peixes do mar perecem. Todavia ninguém contenda, ninguém repreenda; pois é contigo a minha contenda, ó sacerdote.

Por isso tu tropeçarás de dia, e o profeta contigo tropeçará de noite; e destruirei a tua mãe.

O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porquanto rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos.

Oséias 4: 1-6

Por isso, como é o povo, assim será o sacerdote; e castigá-lo-ei conforme os seus caminhos, e lhe darei a recompensa das suas obras.

Oséias 4:9


Vou fazer aqui uma declaração formal de réu culpado pelas atrocidades gospel cometidas nesse mundo afora. Que isso sirva para todos os cristãos que se consideram conservadores, reformados e fundamentalistas para reflexão sobre o nosso descaso e descuido com esses movimentos “cristãos” que surgem a todo dia.

Somos culpados de tudo isso. Sim, nós os conservadores, os reformados, os fundamentalistas, NÓS SOMOS CULPADOS DISSO! Tiremos nossas máscaras e paremos de jogar a culpa sobre o diabo, e assumamos nossa responsabilidade!

Se a teologia da prosperidade, que tanto criticamos, avança, a culpa é nossa. E não é por falta de doutrina. É porque não fazemos aquilo que deveríamos fazer, não ensinamos corretamente. A teologia da prosperidade avança porque numa sociedade capitalista, movida pelo consumo em massa de coisas desnecessárias e do status, as pessoas que não tem condições de se manter acabam submergidas nesse abismo de sistema. Não tendo dinheiro nem sustento, almejam ardentemente sair daquela situação e acabam indo para todos os tipos de caminhos que essa vida oferece. Então, entra a pregação da prosperidade, que dá esperança para elas muito maior do que a que nós oferecemos ou supomos oferecer. E nós não damos atenção a elas como deveríamos. Sim, NÓS! Eu, você, estamos dando assistência à todas essas pessoas para que não caiam nas armadilhas da teologia da prosperidade? A verdade é que se nós estivéssemos fazendo isso, não haveria teologia da prosperidade. E assim, somos hipócritas o suficiente para criticar e combater uma teologia que nós próprios contribuímos para a sua existência.

Semelhantemente ocorre com a teologia da libertação. Ela dá esperança aos pobres e miseráveis desse mundo, coisa que nós não fazemos. Preferimos posar de fariseu, de santão que dá o dízimo e as ofertas religiosamente na igreja, afim de “abençoar” a nós mesmos, enquanto milhares de pessoas estão sendo carregadas por essa teologia porque foram esquecidas pelos “dizimistas fiéis”.

Criticamos o mercado de bugigangas gospel, quando nós mesmos damos razão à existência dele. Sim, isso mesmo. Alimentamos o povo com as idéias do sobrenatural, dos milagres, das curas, ao invés de alimentá-lo com o alimento sólido, com o firme fundamento da palavra e da esperança do Evangelho, que é o conhecimento total de Cristo, o Deus revelado ao homem. Devido ao nosso descaso, crescem as antigas superstições que outrora se consideravam abolidas pela razão, o sincretismo aumenta e os lobos vendo a temporada de caça chegar começam a aparecer. Nós nos limitamos somente a lutar contra os lobos, ao invés de dar ferramentas para que as “ovelhas” se tornem maduras o suficiente para discernir o cheiro dos predadores e se afastarem.

Fazemos apologética contra os pentecostais, os neopentecostais, os grupos religiosos independentes, mas de que adianta afinal se nós mesmos não damos testemunho diante disso?

Assim como o povo de Israel no Antigo Testamento fazia, estamos fazendo hoje. Achamos que somos religiosos o suficiente para agradar a Deus. E combatemos as heresias que nós mesmos criamos. Vamos na igreja para quê afinal? Pra ver Deus? Para nos purificar de nossos pecados semanais como se nada tivesse ocorrido? Damos os dízimos e as ofertas para que Deus nos faça prosperar? Bem disse o Senhor, por meio do profeta isaías:

“Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação. As luas novas, os sábados, e a convocação de assembléias … não posso suportar a iniqüidade e o ajuntamento solene!” – Isaías 1:13

E completa o profeta Oséias:

“Pois misericórdia quero, e não sacrifícios; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos.” – Oséias 6:6

Que adianta anunciar e defender a Bíblia, se na hora da prática não fazemos nada? Estamos por aí, falando de exemplos de personagens bíblicos, mas não vivemos o que eles viveram. Falamos de evangelização, de um mundo achegado aos pés de Cristo, quando tudo isso será utopia, se não nos dispormos a imitar ao Senhor, a defender a causa das viúvas e do órfão, ao ajudar a mostrar um caminho alternativo de vida para as prostitutas, a libertar as pessoas das garras escravizadoras da religião hipócrita, a realmente fazer a diferença no mundo, através do verdadeiro amor, um amor não fingido, um amor que cresce dentro de nós que nos capacite a cada dia a viver de acordo com os mandamentos de Deus.

Devemos sim tentar consertar esses horrores que nós mesmos criamos, através da mudança de atitude própria. Podemos acabar com todas essas manifestações que não condizem com a Palavra de Deus. A Bíblia nos dá uma saída para tudo isso. Não é jejuando, não é orando, não é lutando frontalmente contra as aberrações que ocorrem em nossos dias é que vamos ganhar a causa. Como está escrito:

“Quando estenderdes as vossas mãos, esconderei de vós os meus olhos; e ainda que multipliqueis as vossas orações, não as ouvirei; porque as vossas mãos estão cheias de sangue. Lavai-vos, purificai-vos; tirai de diante dos meus olhos a maldade dos vossos atos; cessai de fazer o mal; aprendei a fazer o bem; buscai a justiça, acabai com a opressão, fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva.” – Isaías 1: 15-17

Não estou dizendo com tudo isso que devemos deixar essas manifestações anticristãs ocorrerem por aí, mas que devemos nos colocar na posição de reconhecimento de que a culpa é nossa, e por isso mesmo temos o dever de consertar os estragos causados. Se ao invés de nos colocarmos contra tudo isso simplesmente dizendo que está errado porque está errado, nós buscarmos os motivos que ocorreram e como consertá-los, talvez ganhemos a batalha.

Reconheçamos pois a nossa culpa, e nos esforcemos dignamente para verdadeiramente imitar a igreja primitiva, que crescia no caminho do amor e da verdade!

Que Deus em sua graça e misericórdia nos perdoe!

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Categorias:Meus Artigos, Reflexões
  1. Malaq-Al-Haq
    28/09/2009 às 2:56

    Sou um dos muitos que ainda não reconhecia você como um bom escritor,depois de ler este artigo é você é, mas cara ainda insisto termina logo a faculdade de uma vez. Lembra do orkut, até agora nao agradeci a você, valeu pelas palavras.

    E para os outros curiosos que leiam, arrependam-se dos seus pecados e voltem para Deus.

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