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SUICÍDIO INTELECTUAL


Por Edson Moura

http://outroevangelho.blogspot.com/

O mal maior que a “teologia da prosperidade” pode causar num cristão é o “suicídio intelectual”, por quê?

Ora! Se uma pessoa crê piamente que se tomar banho com alguns tipos de ervas e folhas que o seu “pastor” recomendou, vai curá-la de determinada enfermidade ou livrá-la de espíritos opressores, ou mais, trazer-lhe prosperidade financeira, essa pessoa está obviamente anulando sua capacidade de raciocínio (suicídio intelectual).

Vou mais além

Este episódio aconteceu comigo, eu não li, eu não ouvi alguém contar, eu estava lá e presenciei o fato que vou narrar:

A igreja era uma dessas que tem “Reino de Deus” no nome, mas existe um abismo enorme que a separa deste “Reino”. Pois bem! A mulher estava angustiada porque seu filho estava preso (devo deixar subentendido que o rapaz cometeu delitos e fora pego em flagrante), então ela estava com o dinheiro que iria pagar ao advogado para tentar libertá-lo. Foi quando eu ouvi a voz do “pa$tor”, que estava com um martelo de juiz em uma das mãos e vestido à caráter, dizendo:

Pega esse dinheiro que você vai dar ao advogado e faça um voto com Deus, pois Jesus é seu advogado e ele vai interceder junto ao Senhor, que irá julgar a sua causa, e você sairá vitoriosa!

Vamos ao absurdo

Deus é justo! Então Ele julga com imparcialidade, certo?! E como é que Ele vai livrar da punição uma pessoa que cometeu delitos graves, foi presa e confessou os crimes? Ele pode até julgar a causa (eu não discordo disso), mas dar “causa ganha” eu acho difícil.

Mas o pior é que a mulher (pobre alma) deu todo o dinheiro que tinha naquele momento. Será que ela parou pra PENSAR? A resposta é simples: Não! (suicídio intelectual)

Infelizmente isso vem acontecendo em boa parte das igrejas evangélicas do Brasil e do mundo. “Falsos pastore$” que não passam de mercenários, enganando meus irmãos e conduzindo-os à morte espiritual, porque pessoas como essa mulher, que fazem certos tipos de “votos” e não alcançam a “benção”, acabam frustrados a tal ponto, que não querem mais saber de Deus (como se Deus tivesse culpa). E o argumento desses BANDIDOS é que a pessoa (vítima) não teve fé suficiente, ou está em pecado, ou usam o chavão: “Deus sabe o que faz” (ou seja, botam a culpa em Deus)

Vamos acordar irmãos! Devemos servir a Deus, não pelo que Ele pode nos dar, mas sim pelo que Ele é, e pelo que Ele já nos deu (seu filho Jesus o Cristo, como nosso único e suficiente salvador). Busquemos a Jesus que é nosso alvo, e como conseqüência dessa busca teremos a salvação, mas salvação para vivermos com Deus eternamente, não salvação das dívidas (que você mesmo fez).

Vamos clamar por RESTITUIÇÃO, mas não essa restituição que nós ouvimos em alguns louvores (louvores?) de sucesso no meio go$pel. Musicas que mais parecem ORDENS a Deus (…Restitui! eu quero de volta o que é meu!…). Não irmãos! A restituição que nós devemos almejar e buscar com afinco é aquela ANTIGA fé dos apóstolos, aquele amor fraternal que existia na igreja primitiva, e que nos foi ROUBADO pelo descaso com que nos ensinaram a “crer” em Deus.

A restituição do temor e da reverência a Deus! A restituição do entendimento e da consciência de que Deus nos observa todo o tempo (lembre-se de Jó)

Crer também é Pensar irmãos, e Deus quer que nós pensemos e arrazoemos com Ele.

“Vinde então, e argüi-me, diz o Senhor: ainda que vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como carmesim, se tornarão como a branca lã.” (Isaías 1-18)

Alguns pregadores da “teologia da prosperidade” desprezam o papel da razão no desenvolvimento da fé cristã, afirmando que ela desvia o cristão da espiritualidade. Vemos no texto de Isaías que o próprio Deus chama o povo à razão. Sem dúvida, Deus demonstra que a razão é importante para o cristão. No versículo em estudo, a palavra Hebraica para razão (yakah) é um termo jurídico muito utilizado para discutir questões. Cada uma das partes apresenta evidências convincentes, produzindo argumentos conclusivos que davam testemunho dos fatos.

No direito português, uma pessoa é constituída como arguida, um termo jurídico que não existe em muitas outras jurisdições no estrangeiro, quando recaem sobre si indícios de ter cometido um delito.

Só pra você entender

Uma pessoa pode solicitar ser “arguida” porque se beneficia de direitos que não tem como testemunha. Além da obrigatoriedade de ser acompanhado por um advogado nas suas declarações ante a autoridade policial, o que não sucede com as testemunhas, um arguido tem direito a não se pronunciar, negando-se a responder a perguntas já que com potencial suspeito age em sua própria defesa, e como testemunha estaria obrigado a responder a todas as perguntas.

No momento em que uma pessoa é constituída como arguido num processo de investigação, fase na qual se recolhem provas ou indícios para posteriormente formular uma acusação, terá que se lhe aplicar o “termo de identidade e residência” como medida de coacção mínima, o que se traduz numa espécie de liberdade condicional na qual o arguido é obrigado a informar as autoridades policiais no caso de ter que se ausentar mais de cinco dias. Um arguido pode ser sujeito também a outras medidas de coacção, a mais gravosa sendo a “prisão preventiva”, especialmente aplicada quando haja perigo de fuga.

Quando Deus criou o homem à sua imagem (Genesis 1:26-27), certamente incluiu a capacidade da razão.

“Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo teu ENTENDIMENTO, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento” (Marcos 12:30 mas leia o capítulo completo)

Sejam como os Judeus de Beréia (Atos 17:11), recebam a palavra de Deus de bom grado, mas examinem se as coisas são assim mesmo nas Escrituras.

“O que faz o mundo se mover não são as respostas e sim as perguntas”

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Categorias:Teologia
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