DEUS NÃO TEM POVO
Uma das maiores pretensões do homem é achar que faz parte do “povo de Deus”. A ideia nefasta de que Deus tem um povo é tão absurda quanto antidivina. No entanto, desde os tempos imemoriais, as civilizações e os impérios tem explorado isto de diversas maneiras, seja para fortalecer o nacionalismo, se impor como seres superiores ou simplesmente para dar credibilidade à suas crenças ante o pluralismo religioso.
Ao afirmar-se como integrante de um suposto povo de Deus, o homem abre brecha para uma série de ações que variam de acordo com a sua concepção do que seja Deus. Curiosamente, a afirmação pretensiosa de povo de Deus não ocorria nas religiões e povos ditos pagãos, senão que o fenômeno aparenta ser forte característica do monoteísmo. Assim, os judeus acreditavam que eles eram a nação exclusiva do deus Yahweh, seu deus nacional e que refletia as particularidades e anseios dos semitas. Semelhantemente os muçulmanos se afirmam como povo do deus Allah, que nada mais é do que o deus judaico com traços árabes. Em meio a isso, os cristãos institucionalizados de todas os times entram na batalha cujo premio é o status de raça eleita, povo escolhido de Deus, nação santa ou qualquer outro título não menos pretensioso.
Mas o status de ser povo de Deus gera um interessante efeito colateral. O povo de Deus torna-se o Deus do povo, pois o povo pensa que se apropriou de Deus de tal forma que fecharam todas as fronteiras e nacionalizaram o ser divino. Cresce então o orgulho e a luxúria, que abre várias portas para a violência, guerra e intolerância em nome de quem nada tem a ver com isso.
Como já disse em outro post, já se matou, estuprou, violentou e torturou gente demais em nome de Deus.
Portanto, para o bem da humanidade, proclamo: Deus não tem povo.
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Renatim