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RELIGIÃO, FAMÍLIA E CONTROLE SOCIAL


Por Renatim

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1– INTRODUÇÃO

A presente pesquisa propõe uma análise e a tentativa de se chegar a alguma resposta concreta acerca da seguinte questão: qual instituição social detém maior poder de controle social sobre o indivíduo, a família ou a religião? A questão apresentada é de importância fundamental para o entendimento do controle social e suas causas e consequências.

É preciso enfatizar que devido à natureza desta pesquisa, foi necessário desconsiderar as famílias não-religiosas e as famílias não-praticantes de sua alegada religião, posto que os efeitos da igreja sobre estas são praticamente nulos, muito embora algumas dessas famílias supracitadas possam seguir alguns princípios ou valores considerados religiosos.  Assim, trataremos apenas de conceituações de controle social aplicadas às famílias e indivíduos considerados religiosos, particularmente acerca das chamadas religiões abraamicas isto é, o Cristianismo, o Islamismo e o Judaísmo.

Neste sentido, há de se recorrer aos textos sagrados destas religiões afim de verificar os possíveis mecanismos de controle social na vida de um indivíduo e determinar o nível de influência das religiões neste contexto.

 

2 – CONTROLE SOCIAL

2.1 – DEFININDO CONTROLE SOCIAL

Paulo Brabo classifica as relações humanas em dois tipos, as institucionais e as de camaradagem. O controle social se baseia e só pode ser feito no âmbito das relações institucionais.

Falando em termos gerais, há dois tipos de associações de pessoas, as instituições e as camaradagens. O que caracteriza as instituições é que elas promovem respostas condicionadas. Num sentido muito essencial, o que fazem as instituições é cercear a liberdade e inibir a criatividade, pelo que servem basicamente como instrumentos de controle social. Prisões, igrejas, empresas, escolas, religiões e formas de governo são instituições, e guardam por essa razão, apesar das diferenças superficiais, grande familiaridade entre si.

As camaradagens, em contraste, são relações autônomas e criativas entre pessoas, e por isso têm sempre algo de informal e algo de provisório. Rodas de samba, caronas, equipes de gincana e parceiros de truco são exemplos úteis, mas também insuficientes, visto que há um enorme leque possível e efetivo de camaradagens na vida real – subsistindo nos mais diversos níveis e construídas sobre as mais diversas bases. A maior parte das camaradagens não tem nome. O que as caracteriza é que, ao contrário das instituições, as camaradagens promovem respostas não-condicionadas ao problema da relação das pessoas com o seu ambiente (incluindo o seu meio-ambiente). Ao invés de instrumentos de controle, as camaradagens servem como ferramentas de convivência.

Todo controle social parte da ideia postulada por Durkheim de que a sociedade está acima do indivíduo, porque este quando nasce tem de se adequar a ela e, portanto, submeter-se aos seus costumes, valores morais e suas regras de conduta. A sociedade humana foi construída em cima de certos valores que são perpetuados pelas chamadas Instituições Sociais. Neste sentido, pode-se concluir que a tarefa de realizar o controle social é uma incumbência e uma responsabilidade das Instituições.

A eficiência dos meios de controle social reside no fator medo. Medo de sofrer alguma represália por parte da sociedade ou do grupo onde está. Seja esta represália uma expulsão, a privação de liberdade, castigos físicos ou até mesmo a morte, a sociedade e suas instituições acreditam em sua alegada autoridade para aplicar as penas a um indivíduo que se comporta mal.

Em geral, o controle social é descrito em regulamentos e leis, que basicamente são listas de comportamentos tidos como moralmente aceitos, os moralmente corretos, os moralmente tolerados e os comportamentos imorais. A partir daí pode0se entender que a lei é  principal instrumento de coerção e controle do indivíduo. A lógica por trás de todo esse aparato é, aparentemente, muito simples: sendo a supremacia social sobre o indivíduo universalmente aceita e as ditas “autoridades” atuando como representantes legítimos da sociedade, então a melhor maneira de dizer se um comportamento se enquadra na dicotomia moral do certo/errado é através da legislação, isto é, transformar em códigos memorizáveis aquilo que só existe no plano das ideias. Então, como o indivíduo é necessariamente inferior à coletividade, este tem que acatar o código estabelecido e primar por fazer aquilo que é aceito como certo. Caso ele tropece, se não há algum nível de tolerância na lei ele deve ser imediatamente punido para servir de exemplo aos outros afim de que estes não cometam o mesmo erro.

Dentro das instituições sociais, as que mais se destacam no controle é a Família, o Estado e a Religião. Entretanto, os níveis de controle exercidos por cada um é bastante variável e em alguns grupos uma destas instituições podem não existir ou coexistirem de forma bastante desigual, principalmente quando uma é vista como ameaça à existência da outra. Como exemplo podemos citar a China comunista de Mao Tse Tung, que via a religião como algo que poderia ameaçar seu poder. Nas palavras do próprio Mao:

Religião é o ópio do povo.

Ora, Mao não queria livrar o povo chinês da “ignorância” como muitos ateus costumam se referir às práticas religiosas. O que ele queria era retirar o poder da religião dominante afim de implantar outra no lugar, a religião comunista estatal. Assim não haveria conflito entre poderes e influência. Mao escreveu o Livro Vermelho e exigiu de cada cidadão chinês que colocasse uma foto dele em suas casas. Ou seja, Mao criou um livro sagrado e se colocou como o deus da religião comunista da China, voltando aos antigos cultos aos imperadores na China Antiga.

No entanto, quando a religião e o Estado se dão muito bem entre si como ocorrera na época da institucionalização do Cristianismo provida pelo Imperador Constantino, a influência religiosa chega a patamares nunca vistos. A religião passa a se adequar ao  sistema vigente torna-se parte integrante deste sistema. A partir daí, ela passa a ter maior influência no controle social do que a própria família.

2.2 – RELIGIÃO E CONTROLE SOCIAL

Assim diz o SENHOR…

A influência social das religiões é um fato empírico e facilmente observável. Desde os primórdios da humanidade, o homem tem buscado no “mundo espiritual” respostas para suas indagações mais profundas e subjetivas. Assim nasceram as religiões, que são basicamente um conjunto estruturado de meios rituais, cerimoniais, legislativos, sociais e filosóficos concebidos através da busca humana pela divindade, a qual podemos denominar genericamente de Deus, afim de religar a humanidade perdida ao Deus Salvador por meio de uma série de procedimentos estabelecidos pelo sacerdote, que em geral baseia seus preceitos nos livros atribuídos à divindade.

Há um consenso entre os estudiosos das Ciências Sociais de que a religião exerce forte influência no controle social, assim como a família, o Estado e as leis. Para os sociólogos, as assim denominadas igrejas (compreendida aqui como um nome genérico para qualquer organização física de uma religião) podem ser categorizadas como pertencentes ao grupo das Instituições Sociais. Ora, o poder de persuasão da religião nas sociedades está claramente demonstrado pela História.  Mas o que não está claro é quem exerce maior controle sobre a vida de um indivíduo, se é a família ou a religião. Durante entrevistas para esta pesquisa, constatou-se que a grande maioria das pessoas acredita que a família tem maior influência do que a igreja. Tal opinião também é compartilhada pelos estudiosos. Entretanto, não há muita profundidade na análise do caso. A pouca influência social das igrejas sobre as pessoas só pode ser confirmada em dois tipos de famílias ou indivíduos: aqueles que não têm nenhuma religião e aqueles que não praticam sua própria religião. Como a maioria dos estudos concentra-se em pessoas que se dizem religiosas, é necessário levar em conta a hipótese de que tais pessoas podem não estar seguindo os preceitos de sua crença, neste caso estaremos lidando com os religiosos não praticantes, que para todos os efeitos, anulam quase completamente os resultados da pesquisa.

Portanto, esta presente pesquisa pretende elucidar o quão grande é o controle social promovido pelas religiões analisando os aspectos tidos como espirituais pelos seus adeptos mais fervorosos e nos Estados Teocráticos, onde igreja e Estado estão completamente unidos e complementam um ao outro afim de fortalecer o domínio.

2.3 – OS ESTADOS TEOCRÁTICOS

A união total entre Igreja e Estado estabelece um novo tipo de governo, o Estado Teocrático.  Nos Estados Teocráticos, a religião tem papel fundamental na vida das pessoas de modo que controla até mesmo os elementos que compõe a vida familiar e social. Para que este tipo de Estado funcione, é necessária certa propaganda de algumas doutrinas essenciais à manutenção do status quo. Algumas dessas doutrinas estão listadas abaixo:

  • O direito divino do governante:

Alegar que o governante possui linhagem divina predispõe a população à submissão irrestrita ao Estado. Isto ocorria particularmente em religiões antigas como  a praticada no Antigo Egito (onde o Faraó era considerado Filho de Osíris), no Xintoísmo japonês (onde o Imperador é a reencarnação de algum dos espíritos mais antigos e sábios), no Catolicismo e no Protestantismo (onde para alguns adeptos os governantes são escolhidos e mantidos por Deus), no Islamismo (alguns califas alegam serem descendentes diretos do profeta Maomé ou escolhidos por este), e no Judaísmo (particularmente na época dos Reis, onde até mesmo os mais audaciosos dos profetas diziam ser o rei um “Ungido de Deus”). Neste sentido, é de supor que a religião tem enorme influência no Estado e, portanto na legislação. Obtendo o controle das leis, a religião começa a partir daí a ter maior influência sobre a família, já que agora o Estado Teocrático passa a ditar as normas e comportamentos socialmente aceitos. As pessoas são então condicionadas a não questionarem os atos do governo sob pena de sofrer a grande ira divina (como pode ser lido em Romanos 13).

  • Infalibilidade Sacerdotal:

A doutrina da Infalibilidade Sacerdotal é essencial porque aliena as pessoas e as conformam com o que o sacerdote diz. E isto é viável ainda mais quando o próprio governante é o sacerdote supremo da religião, tal como ocorria nas regiões mesoamericanas. Além disso, a palavra do sacerdote tem peso muito maior para o indivíduo religioso do que a palavra da sua família, posto que o sacerdote é infalível mas o pai e a mãe não,  portanto estes últimos estão sujeitos a erros.  O sacerdote pode assim ditar regras de convívio familiar de acordo com o que iria beneficiá-lo melhor ou para esconder seu falso moralismo. Isto ocorria nas religiões sumério-babilônicas onde alguns pais cediam suas filhas aos templos da deusa Astarote para praticarem a prostituição cultual de modo a atender às “exigências” da deusa que o sacerdote transmitia ao povo.

  • O Templo como morada da divindade:

A ideia de que o templo é a morada da divindade tem efeito enorme nas religiões monoteístas, principalmente no Cristianismo Protestante e nas correntes do Pentecostalismo. É comum as lideranças dessas igrejas se referirem ao templo como Casa de Deus e usarem um discurso de que é mais importante ir à Igreja do que ficar em casa ou dar um passeio cm a família. Assim, coloca-se a igreja num patamar acima da família e, portanto, deve ser mais obedecida do que esta última. Os templos na verdade podem se caracterizar como locais de educação e coerção coletiva, na qual as “ovelhas” são levadas ao controle social pelos “pastores” através dos cultos e rituais coletivos, de modo que uma pessoa que de início se sinta incomodada pode em poucos instantes ser coagida a participar do controle ao observar que todos participam e aceitam aquilo como normal.

Evidentemente deve haver mais algumas doutrinas úteis e universais ao sistema teocrático, mas estes três listados acima são a base da dominação. Mas todas elas tem um papel fundamental, o de rebaixar o papel da instituição familiar e colocar acima dela as bases religiosa. Isto ocorria de forma muito espetacular com o povo de Israel no Antigo Testamento.  Quando Moisés sancionou a Lei, muitas vezes usou a fórmula legitimadora “diz YHWH” para que suas palavras fossem imediatamente elevadas ao patamar divino e entendidas como se fossem leis estabelecidas pela própria divindade. Ora, contrariando os argumentos de muitos estudiosos de que a família exerce maior controle social do que as religiões, o judaísmo primitivo e teocrata estabelecia regras de conduta estritas sobre a família, chegando muitas vezes a interferir até mesmo nas relações entre seus membros. A Lei permitia por exemplo que um pai vendesse sua filha como escrava (Êxodo 21:7), o que era útil a alguns  homens ricos do povo, que poderiam criar dívidas para um judeu pobre afim de apossar-se de sua filha, o que contradizia ao mandamento dado no Decálogo “amarás ao teu próximo como a ti mesmo”. Qual pai que amava a filha iria dá-la como escrava? Neste sentido, Moisés embora tenha minimizado muito alguns aspectos da exploração social daquela época, continuava a legitimar muitos outros. Mas desta vez contava com o irrestrito apoio de YHWH.

Então Deus pronunciou todas essas palavras. (Êxodo 20.1)

Ao dizer que suas palavras eram inteiramente as palavras de Deus, Moisés estava retirando do povo o direito de pensar e, portanto, de questionar sua autoridade. Moisés estabeleceu então os Dez Mandamentos, mas aparentemente contradisse todos eles ao ceder à pressão social e tentar expandir cada um dos mandamentos originais e aplica-lo à vida familiar das pessoas.

No âmbito da religião judaica, a Lei estabelecia que uma mulher que tivesse relações sexuais antes de se casar com um homem indicado por seu pai, isto era visto como adultério e prostituição e portanto tal filha deveria ser punida exemplarmente para que “afaste o mal sobre Israel”. E qual era a punição? Levavam a jovem até a porta dos pais dela e a apedrejavam até que morra (Deuteronômio 22:20). Entretanto, tal lei era simplesmente a consequência de um outro ato de controle social praticado naquela época, o casamento arranjado. No sentido aplicado ao texto, é necessário enfatizar alguns aspectos afim de fazer uma análise acurada:

  • A mulher judaica, assim como nas culturas da época, eram vistas apenas como meios de reprodução e era tratada como propriedade masculina, de seu pai enquanto for solteira e de seu marido quando casada. Não obstante, a sociedade judaica não aceitava pessoas solteiras a não ser que estas fossem “consagradas” para servirem a Deus.
  • Os arranjos matrimoniais são sempre motivados por questões econômicas, étnicas, sociais ou políticas, e desconsideram qualquer afinidade ou sentimento entre os noivos. Além disto, em termos essencialmente físicos e culturais, quem se beneficia realmente com um casamento arranjado em geral é o homem.
  • A mesma lei citada acima estabelece que, caso a acusação do marido seja falsa, este deverá levar a mulher para casa e deve ficar com ela até o fim de sua vida. Não há nenhuma punição grave ao homem, que em todo caso, sai ganhando.
  • O judaísmo aqui desconsidera quaisquer sentimentos e a valorização de um ser humano por outro, posto que controla desde cedo as relações entre uma pessoa e outra.

O Livro de Eclesiástico, presente apenas em algumas versões da Bíblia, relata como as mulheres eram vistas no Antigo Israel:

Filho mal-educado é vergonha para o pai, e se for uma filha, a desgraça é ainda maior. Filha sensata arranja marido; filha sem-vergonha é desgraça para os pais. (Eclesiástico 22:3,4.)

Está claro aqui que para os judeus a mulher era inerentemente inferior e vista como desgraça. O mesmo julgamento de valor dado aos homens não é aplicado às mulheres. Citando um discurso rabínico nos tempos do Antigo Testamento, o Dr. Sherif Abdel Azeem Mohamed diz:

Os rabinos judeus tornaram uma obrigação para os homens produzirem uma descendência, a fim de propagar a raça. Ao mesmo tempo, eles não escondiam sua preferência por meninos: “É bom para aqueles cujas crianças são meninos, mas é mau para aqueles cujas crianças são meninas”, ” no nascimento de um menino tudo é alegria … no nascimento de uma menina tudo é tristeza”, e “Quando um menino chega ao mundo, a paz chega ao mundo … Quando uma menina chega ao mundo, nada chega” .

É de se observar o poder da palavra dos rabinos.

Como consequência do casamento arranjado e da condição social feminina, as mulheres sentiam-se muitas vezes infelizes por serem obrigadas a se casar com homens que não tinham afinidade ou amor por eles. É de se esperar que houvesse adultérios, relações extraconjugais e jovens perdendo sua virgindade antes de se casar por terem se apaixonado e amado outro homem que dava valor à elas. Além disso, a mencionada lei falhava num ponto biológico sério: nem todas as mulheres tem rompimento do hímen em sua primeira relação. Portanto, muitas jovens morriam inocentes. Assim, é de se questionar se tal lei poderia mesmo ter vindo de um Deus que o mesmo Moisés alegava ser justo, amoroso, criador do ser humano e onisciente ao mesmo tempo.

Para o judeu entretanto, a Lei estava acima de sua família.

O mesmo raciocínio é visível no Islamismo, visto que o próprio Maomé baseou-se em ensinamentos cristãos e judaicos para montar sua religião. Em muitos aspectos, o Islão revoga algumas práticas judaicas em relação à mulher e aos filhos. A mulher no Islamismo é tratada às vezes melhor do que no judaísmo, embora o Islão permita que o marido bata em sua esposa em caso de indisciplina. Os filhos, tanto homens quanto mulheres são considerados bênçãos de Allah e devem ser tratados igualmente. Mas cimo toda religião, o Islamismo tem uma série de leis e preceitos que devem ser rigorosamente seguidos tanto individualmente quanto socialmente, a Sharia (lei). O Alcorão não faz distinção entre Estado e Igreja, portanto o Islamismo é basicamente uma religião teocrática. Algumas práticas que beneficiam uns poucos como o caso da poligamia (que só é permitido a homens no Alcorão), a submissão feminina, a obediência estrita aos preceitos de Maomé entre outras, podem ser enquadradas como formas de controle social.

3 – A FAMÍLIA E A RELIGIOSIDADE

O motivo de alguns estudiosos alegarem que a religião tem pouca influência no controle social é a ideia perpetuada de que a família é a base da sociedade e portanto, deve ser a instituição com maior poder sobre o indivíduo. Mas particularmente na família religiosa, toda a base familiar, isto é, todo doutrinamento feito pelos pais aos seus filhos tem embasamento nos ideais da religião.

A própria ideia de que a família é uma instituição criada por Deus nos dá indícios da coerção religiosa na formação do indivíduo. Sendo a família criada por Deus, esta deve obedecer aos preceitos deste, que são teoricamente, disseminados pela religião. Neste sentido, a religião influencia a família e esta influencia o indivíduo. Logo, é possível concluir que a religião muitas vezes exerce maior influência indireta sobre uma pessoa.

Quando uma família é extremamente religiosa, tende a colocar os valores da religião acima de seus membros familiares mesmo que isto signifique a morte de uns ou outros. A religião das Testemunhas de Jeová possui um controle substancial sobre a vida de seus adeptos de tal modo que se um membro de uma família tiver precisando de uma transfusão de sangue é preferível que este venha a falecer do que receber a transfusão, porque segundo uma doutrina da religião, uma transfusão de sangue é vista como abominação por Jeová e acarreta a ira dele sobre a pessoa e a família. Assim, deixa-se de salvar uma vida em favor dos preceitos religiosos.

No que tange a famílias não religiosas, ainda assim o controle religioso é visível. Valores tipicamente espirituais como dar esmolas, promover virtudes, casamento, fraternidade estão enraizados na sociedade, embora não sejam praticados da forma como se espera.

Atualmente, os jovens em geral estão cada vez menos propensos a seguirem algum tipo de religião. Isto ocorre porque as religiões vêm perdendo cada vez mais seu controle sobre a família devido a mudanças sociais e o triunfo cada vez maior do materialismo no mundo. No entanto, pode-se acreditar que o controle estabelecido pelas religiões ainda estará presente no futuro, quando os deuses espirituais e antropomórficos forem substituídos definitivamente pelos deuses ideológicos.

4 – CONCLUSÃO

Através desta pesquisa, é possível concluir com certa probabilidade que o controle social estabelecido pelas religiões, especialmente nos Estados Teocráticos, exercem maior poder sobre a sociedade e portanto sobre os indivíduos do que a instituição da família. Embora modernamente as pessoas não se importem muito com as questões de religião, ainda é possível enxergar os valores religiosos presentes na vida social.

Além disto, é necessário enfatizar que as religiões em si não fazem controle algum se a pessoa não estiver disposta a seguir quaisquer preceitos socialmente aceitos, isto é, se a pessoa vive um estilo de vida alternativo à sociedade tal como os hippies. No entanto, mesmo nestes ainda há valores espirituais mas não de natureza religiosa institucional.

Todo controle social é ruim porque não resolve o problema pela raiz, apenas trata os sintomas. Isto ocorre porque um desvio é condicionado sempre por outro controle e assim ficamos num ciclo infinito desvio-controle e não se resolve o problema de facto. Pode-se afirmar também que o controle social inviabiliza o progresso total da humanidade, visto que através de regras e instituições socialmente  desnecessárias inibe a criatividade e o dinamismo do ser humano, impedindo-o de exercer papel ativo e funcional na construção de seu ambiente.

O problema das relações humanas não pode ser resolvido pelas instituições e sim pelos laços espontâneos de amizade e relacionamento sem táticas ou intenções coercivas. Somente se a humanidade passar a agir deste modo é que teremos enfim, uma sociedade mais humana.

5 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Bíblia Sagrada, Edição Pastoral. Editora Paulus. 1995

BRABO, Paulo. A Bacia das Almas: Confissões de um ex-dependente de igreja. Mundo Cristão. 2009. Também disponível em http://www.baciadasalmas.com

GAARDER, Jostein; NOTAKER, Henry; HELLERN, Victor. O Livro das Religiões. Companhia das Letras. 2000.

Liga da Juventude Islâmica do Brasil, disponível em: http://www.ligaislamica.org.br

Portal do Islamismo, disponível em: http://www.islamismo.org

  1. 28/02/2013 às 18:08

    adorei muito isso

  2. kan
    28/02/2013 às 18:09

    uuuuuuuuuaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaauuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu

  3. 28/02/2013 às 18:12

    otimo

  4. 28/02/2013 às 18:13

    ammei

  5. Alex
    02/07/2013 às 22:05

    A referencia em eclesiastes esta incorreta, passe novamente por favor

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